A médica ginecologista Maria Isa Vasconcelos, acusada de ter causado a morte de uma bebê durante um parto realizado no hospital municipal do município de Concórdia do Pará, declarou ontem (31), através de assessoria de imprensa, que o pai da criança está mentindo e que as acusações contra ela são levianas.
Isa disse ainda que sua ação salvou a criança, que poderia morrer em decorrência de complicações no parto. A médica diz que quando chegou ao hospital a mãe da criança estava “gritando e se contorcendo” e a bebê tinha a cabeça para fora. Quem assistia a parturiente era uma enfermeira. Para a médica, parecia que a mãe não tinha forças para empurrar sua filha para fora e contraía suas pernas em vez de relaxá-las.
“Quando vi o quadro, mandei parar tudo e providenciei uma cirurgia. Que havia uma senhora em trabalho de parto e que a criança já estava morta”, relatou. Segundo Isa, a anestesia fez a mãe da criança relaxar e possibilitar o trabalho dos profissionais. A ginecologista então teria livrado os ombros e os membros superiores da criança, enquanto um técnico de enfermagem fazia pressão na barriga da mãe para o bebê sair.
“Tenho consciência do que eu faço, amo minha profissão e se não fosse médica ginecologista não seria outra coisa, pois também tenho formação na área de enfermagem”, assegurou Isa Vasconcelos. Ela acredita que se estivesse no hospital quando a grávida chegou não teria acontecido o que aconteceu. “Não havia colega médico nesse momento, só as enfermeiras”, afirma.
A médica Isa Vasconcelos não acompanhou o pré-natal dessa mãe, mas afirma que no sábado, 22 de janeiro, essa senhora havia procurado o hospital, mas ainda não estaria na hora de fazer o parto.
“Eu estava a caminho de Belém quando recebi um telefonema da enfermeira Jane, que trabalha na administração, pedindo pelo amor de Deus para que fosse ao hospital por que havia uma senhora em trabalho de parto e a situação estava complicada”, declarou.
A médica ainda argumentou que não seria possível, mas a insistência desesperada da enfermeira fez ela mudar de ideia e voltar ao hospital, de onde havia saído duas horas antes, quando finalizou seu plantão, após quatro dias de serviço.
A médica diz que o pai da criança não quis saber o que de fato tinha acontecido e foi imediatamente para uma delegacia fazer acusações que não condizem com a verdade.
“Esse senhor está sofrendo com a morte de sua filha, o que é normal, mas não se interessou pelos fatos e nem se
preocupou imediatamente com o estado de saúde da esposa dele, que também poderia ter morrido por conta de complicações durante o parto”, ressalvou a médica. Para ela, a mãe da criança foi salva. “Se eu não tivesse voltado, provavelmente essa senhora teria morrido”, assegura.
Isa Vasconcelos diz que iniciou seu plantão na quinta-feira, 20, e o largou por volta de 7 horas de segunda-feira, 24. A mãe da bebê deu entrada no hospital por volta das 8h. A médica voltou ao hospital por volta de 10h. “O nascimento da criança estava no tempo e quando cheguei ela se encontrava morta no canal de parto”.
A causa da morte da bebê será esclarecida pelo laudo do Instituto Médico legal (IML), que tem 15 dias para emitir o resultado, a partir da data do ocorrido. “Não sabemos a causa da morte”, declara a médica, que trabalha há 15 anos na profissão e há um ano e meio no hospital de Concórdia do Pará.
DENÚNCIA
Por conta da denúncia do pai da criança de que sua filha teria sido morta no local, a direção e alguns enfermeiros do hospital foram convocados a depor. Isa Vasconcelos ainda não recebeu a intimação. Ela disse que já conversou informalmente com o promotor do caso.
Segundo a assessoria do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, o cadáver do bebê foi necropsiado no IML de Castanhal, onde foi coletado o material biológico, enviado a Belém para exame
histopatológico.
O resultado ainda não foi concluído, mas ainda está dentro do prazo legal, de 15 dias úteis, prorrogável por mais 15. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar