Documentos, registros, notas ficais, relação de compras de todos os insumos para a construção da obra. Todo e qualquer documento relacionado ao edifício Real Class, que desabou no último sábado, foi apreendido na manhã de ontem (31), na sede da empresa Real Engenharia. A operação foi feita pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves (CPC) e Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE) da Polícia Civil, em cumprimento de mandado da 14ª Vara de Execuções, que acatou solicitação do Ministério Público do Estado (MPE).
Dois oficiais de justiça chegaram à sede da construtora por volta das 9 horas da manhã para cumprir o mandato. Logo em seguida chegou o promotor de justiça do Consumidor, Marco Aurélio Nascimento. “Viemos para apreender todo material relacionado ao prédio. Queremos analisar desde as notas ficais até a qualidade dos materiais utilizados na obra”, explicou.
O delegado Rogério Moraes, diretor da Dioe, também acompanhou a operação. “Iremos trabalhar com dois inquéritos. Um criminal e outro civil. Tudo o que for retirado da sede da construtora será usado nos dois inquéritos”, ressaltou.
COLABORAÇÃO
Os advogados da Real Engenharia e o diretor administrativo da empresa, João Maria Paes, estiveram no local e colaboraram com o trabalho da polícia. “Estamos dispostos a colaborar com as investigações. Trouxemos até alguns funcionários da empresa para auxiliarem na procura dos documentos solicitados”, disse o advogado criminalista Roberto Lauria.
Após quase três horas de busca e apreensão, as equipes deixaram a sede da construtora. O material recolhido será encaminhado ao CPC Renato Chaves para perícia e avaliação laboratorial. “Ainda não temos como estimar o tempo que esse material levará para ser analisado. Iremos somar o resultado disso com todos os vestígios que já foram encontrados até agora”, explicou Orley Moraes, perito criminal e engenheiro civil do CPC.
NOVAS DENÚNCIAS
Enquanto o prédio da construtora era periciado, muitos moradores de outros empreendimentos da Real Engenharia foram até a sede da construtora. “Estamos desesperados com o que aconteceu. Queremos um pronunciamento da construtora, uma garantia de que a mesma tragédia não vai acontecer com o nosso prédio”, disse Janise Santos, que mora em um prédio da Real localizado na Rua Bernal do Couto.
A funcionária pública Keise Moraes chegou muito nervosa ao local, querendo uma explicação de algum funcionário da construtora. Segundo ela, o prédio em que ela mora, o Real Dream, entregue em julho do ano passado, já apresenta problemas. “A piscina está rachada, o prédio está cheio de infiltrações. Quando chove, fica tudo alagado. Já estávamos com medo antes desse prédio cair. Agora, estamos desesperados”, contou.
O advogado da construtora, Roberto Lauria, disse que a empresa irá analisar caso a caso de todos os moradores, porém, ele afirmou que algumas pessoas podem acabar se aproveitando da tragédia.
Lauria também negou a informação de que a construtora não estaria prestando apoio necessário às famílias. “Já disseram que as famílias que estão hospedadas no hotel não estão recebendo alimentação, só o café da manhã. Isso não é verdade. Estamos prestando todo apoio necessário e continuaremos dando sempre”.
Após a perícia, o prédio onde funciona a sede da construtora, que estava interditado desde o domingo, foi liberado. (Diário do Pará)
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