A perícia nos escombros do edifício Real Class não foi concluída, mas as semelhanças da tragédia ocorrida no sábado passado em Belém com a que ocorreu em 1987, quando o edifício Raimundo Farias tombou, cada vez mais se aproximam. Ontem, foi confirmada que, apesar da troca de nome ao longo dos anos, a mesma empresa realizou a sondagem das obras nos dois prédios. A direção da Geofort, de propriedade dos engenheiros Durval Pinheiro, Fabiano Pinheiro e Antonio Enéas Resque Duarte, admite que a empresa atuou nas duas obras, mas Fábio Pampolha Pinheiro, engenheiro responsável, assegura que a empresa não fez a fundação do prédio Real Class. “Fizemos a sondagem, estudo preliminar e reconhecimento do tipo de solo, que inclusive é um solo bom naquele local”, acentua. Ele informa que a Solotécnica é quem realizou a fundação. Ouvido pelo DIÁRIO no dia seguinte à tragédia, o proprietário da empresa, Edickson Paes, afirmou que não se lembrava se realmente fizera a obra no Real Class, como já fora publicado.
Na verdade, o engenheiro Durval Pinheiro é quem trabalhou na empresa que fez a fundação do Raimundo Farias, que mudou de nome após a tragédia que teve um o triste saldo de 39 mortos - crime que prescreveu e a Justiça sequer julgou o mérito do processo.
A Geofort foi fundada em janeiro de 1995 e atualmente é uma das maiores empresas da prestação de serviços especiais de engenharia e geotecnia da região. Segundo Fábio Pampolha, a Geofort fez a sondagem preliminar, mas é de praxe a empresa que fará a fundação realizar uma nova sondagem para então fazer a fundação.
Segundo o engenheiro, a Geofort fez várias fundações para a construtora, inclusive, as do prédio ao lado do que desabou, mas conta que na época, por questões comerciais, não fizeram a fundação do Real Class.
Pampolha não admite a relação da empresa com os dois desabamentos. O engenheiro ressalta que a Geofort foi criada somente em 1995 e o Raimundo Farias desabou em 1987. Disse ainda que o engenheiro Durval Pinheiro tem 85 anos e não se envolve mais em questões administrativas, e que a causa do desabamento do Raimundo Farias não se deveu à fundação. Leia mais no Diário do Pará
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