Alguns passam na bicicleta, outros caminhando, e há os que ficam conversando, sentados em frente à paisagem que reúne amontoados de concreto, areia, seixo, ferro e toda a sorte de materiais que davam forma ao edifício Real Class. Os “restos mortais” do empreendimento e das duas casas que o circundavam são cobiçados por carroceiros e catadores em busca de algum dinheiro para o sustento, no bairro da Cremação.
“Eu tiraria só mesmo o ferro, vendo 1 quilo de vergalhão por R$ 0,20. Preciso para inteirar o pirão das crianças, e não entendo porque proibiram agora, depois de tanta gente ter vindo ontem aqui tirar, não acho que esse lixo vá poder dizer como foi, os ferros tão enterrados no solo, isso tinha que ter sido feito lá onde o prédio caiu”, opinou o catador Charles Teixeira, 36 anos.
Desde o domingo, uma equipe da Guarda Municipal (GBel) está de plantão permanente no local, com apoio da Polícia Militar, para dar segurança. Segundo o encarregado Ribeiro, da GBel, ninguém pode retirar nenhum dos escombros, onde já encontraram objetos pessoais e identidades, que foram repassados ao comando da Guarda.
Um pouco depois, duas moças se aproximam da reportagem do DIÁRIO e entregam algo que parece um álbum de fotografias: “Vimos o menino jogar ali, juntamos pra ver e estamos entregando para devolver a essas pessoas, pra conservarem as lembranças”, falou uma delas, que não quis se identificar.
Passando pelo local, Paulo Lobato, 48 anos, parecia indignado com o que via. “Primeiro, vi muita besteira esses dias, falando do vento, do nosso terreno que não é adequado, nada disso causou a queda do prédio. Pra mim, foi por causa do esmagamento do pilar. No Japão eles construíram cidades em cima de rios! O terreno daqui é sondado, o engenheiro calculista verifica quantos quilos vão nos pilares do prédio, é tudo medido”, relatou ele, operário da construção civil que trabalhou por anos nas obras de macrodrenagem.
Quando deixava o local, a reportagem observou que um carroceiro estava em meio aos escombros e retirou material sem ser impedido.
PERÍCIA
Segundo informações da Secom, o Instituto Médico Legal dispõe de cinco peritos que vêm realizando diariamente a coleta do material para ser periciado exclusivamente no local do desabamento, porém a amostra ainda não está fechada. Posteriormente o material será levado para análise. Durante todo o dia de ontem, 11 máquinas, 4 guindastes e 28 caminhões trabalhavam retirando parte dos escombros, 48 horas após o acidente. (Diário do Pará)
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