Os técnicos do Centro de Perícia Renato Chaves solicitaram ao Ministério Público e aos órgãos envolvidos no resgate e atendimento das vítimas do desabamento do Real Class que a área seja totalmente isolada para que a perícia comece a trabalhar imediatamente. Dorival Pinheiro e Orley Cruz participaram da reunião realizada no MP, ontem (2) pela manhã, entre os promotores que integram o inquérito civil, aberto para apurar as causas do desabamento, e todas as entidades que atuam no caso, como Bombeiros, Defesa Civil, polícias Militar e Civil, CPC, além de Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb). O inquérito está sendo presidido pelos promotores de Justiça Marco Aurélio Nascimento e Joana Coutinho, de Defesa do Consumidor, e Helena Muniz e João Godofredo Santos, de Meio Ambiente e Urbanismo.
Os dois peritos do CPC informaram que é preciso preservar o local do desabamento e que já coletaram amostras dos materiais do edifício, mas que é preciso isolar o local, a fim de coletar mais vestígios e evitar influência negativa na perícia, que é técnica e criminal, como deixaram claro.
Eles alegaram que a prioridade era, de fato, o resgate das vítimas, mas a partir da retirada do último operário, é necessário que apenas os peritos tenham acesso ao local por, pelo menos, três dias. As amostras serão enviadas a um laboratório de análises, que poderá ser o da Universidade Federal do Pará, Unama, ou até de uma entidade privada.
PASSO A PASSO
Além dos materiais da construção, os peritos, que são engenheiros civis, vão se debruçar na perícia dos projetos arquitetônicos, de fundação e de sondagem, além do alvará, que já se encontram nas mãos do delegado responsável pelo inquérito criminal, Rogério Moraes, após busca e apreensão realizada na sede da Real Class.
Mas os peritos disseram que não há previsão de conclusão da perícia, que deve ser eminentemente técnica. Todos os engenheiros que atuaram na obra do Real Class deverão ser entrevistados pelos peritos, na presença do delegado e dos promotores do caso.
Por outro lado, a diretora de Fiscalização da Seurb se queixou da cobertura da imprensa no caso, alegando que há desconhecimento sobre a função da Seurb. Ela disse que a obra estava toda com documentação regulamentar. Que a Seurb concedeu o primeiro alvará, seguido depois de mais dois, a cada ano, baseado na regularidade dos projetos registrados no Crea. Mas, também admitiu que a secretaria não tem condições estruturais de fiscalizar todas as obras realizadas na cidade e que não conhece nenhum outro município que fiscalize. Ela e o presidente do Crea/PA, José Viana, afirmaram que os dois órgãos não têm como fiscalizar obras da construção civil, e que são responsáveis apenas pelo registro e alvará.
CREA
José Viana informou que o Crea formou uma comissão de engenheiros e todas as entidades que atuam no setor para acompanhar a perícia técnica. Ele solicitou aos peritos e ao MP acesso ao local do desabamento.
Em coletiva à imprensa ontem pela manhã, também com a presença de outras entidades ligadas ao setor da construção civil, o Crea do Pará eximiu-se de qualquer responsabilidade pelo ocorrido. “O Crea não pode ser culpado por nada, porque todas as nossas responsabilidades perante a construção do prédio foram cumpridas, que são a fiscalização da regularidade da empresa e dos engenheiros”, afirmou Viana.
Presente no encontro, o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, também procurou amenizar, em seu discurso, as preocupações sobre as construções no Estado, garantindo a participação do órgão nas investigações e punições do desabamento.
Sem crer em uma futura instabilidade do mercado imobiliário após a tragédia, o vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário – Ademi, Antônio Rezende, garante que a expansão imobiliária na capital não influenciou na tragédia. “Acho que o crescimento imobiliário contribuiu positivamente com o desenvolvimento da construção civil no Pará porque trouxe mais tecnologia e segurança ao mercado”. (Diário do Pará)
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