O Ministério Público do Estado do Pará fez uma audiência, no início da tarde de ontem (2), com os advogados da empresa Real Engenharia, na sede do órgão, para tratar sobre as possíveis indenizações aos prejudicados com o desabamento do edifício Real Class, na travessa Três de Maio.
A reunião foi às portas fechadas, mas o promotor de Justiça de Direitos do Consumidor, Marco Aurélio Nascimento, que preside a ação civil do MPE, garante que a empresa acenou em arcar com todos os compromissos. “A empresa mostrou disponibilidade de ressarcir as vítimas e estaria mantendo os contatos necessários. Nós estamos acompanhando esse processo”.
Marco Aurélio disse ainda que cobrou a agilidade no tratamento das indenizações, de acordo com a prioridade de quem foi vítima da tragédia. “Devem ser priorizados os parentes das vítimas fatais, depois as pessoas que moravam nas casas que desabaram e por fim as pessoas que tinham imóveis no edifício que desabou”, reiterou.
O advogado da empresa, Roland Massoud, não falou com a reportagem durante a reunião, mas depois deu declaração ao DIÁRIO. “Vamos parar de especular, o projeto foi contratado por um calculista, o IML irá periciar o material e vamos descobrir. Não sabemos de quanto estamos falando em valores, mas a empresa tem boa vontade e, em alguns aspectos, obrigação de indenizar as pessoas”. A empresa informou ao MPE que 30 pessoas haviam comprado apartamentos no edifício e duas já haviam quitado as prestações. Cada apartamento valia R$ 500 mil.
Representantes do Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon) reuniram logo em seguida com Marco Aurélio. “Nós viemos pôr o sindicato à disposição do Ministério Público para todos os esclarecimentos necessários”, afirmou o presidente Manoel Pereira dos Santos.
DEFENSORIA
Todas as pessoas prejudicadas pelo desabamento do Real Class que não puderem pagar um advogado serão atendidas pela Defensoria Pública do Estado. É o que receberam de garantia os moradores das residências e edifícios próximos do prédio que estiveram no órgão na tarde de ontem. O defensor público Rodrigo Cerqueira garantiu que várias ações judiciais devem ser abertas contra a empresa.
Todos os moradores preencheram um relatório relatando sua situação. A intenção do órgão é acompanhar caso a caso separadamente para definir o tipo de processo judicial que deve ser aberto: por danos materiais, morais ou de lucro cessante. “O que queremos é elucidar os direitos deles e colher dados pessoais, como os prejuízos de cada um, para judicialmente tutelar o que cada um tem direito”. (Diário do Pará)
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