Assim como no velório de Maria Raimunda, o caixão do operador de guincho José Paulo Barros permaneceu fechado. Apenas uma foto, colocada em cima da tampa, lembrava a amigos e parentes a pessoa alegre que era José.
“Ele era uma pessoa muito companheira e um ótimo pai. Criou dez filhos e sempre esteve muito presente”, lembrava Raulino de Sousa, filho da vítima.
O corpo de José Paulo foi o segundo a ser encontrado, ainda na madrugada de ontem (2). Ele está sendo velado na casa da família, no bairro do Una.
Segundo o filho de José, a viúva e dos dois filhos mais novos são os que mais estão sofrendo com a morte. “Eles ainda não aceitaram o que aconteceu. Estão à base de medicamentos”.
O enterro do operário está marcado para acontecer às 10h, em um cemitério particular da Região Metropolitana de Belém.
A casa da família, onde o corpo foi velado na tarde de ontem, estava cheia de familiares e amigos que chegavam debaixo de uma fina chuva.
No momento em que o corpo foi encontrado, por volta de 1h30 de ontem, o cunhado de José Paulo, Pedro Souza, lembrou de agradecer aos voluntários que acompanharam a família durante todo o período das buscas. “Eles estão sendo tudo na nossa vida. O principal, que é o carinho, eles têm de muito, sem falar na água e na comida que nos deram. Se fôssemos esperar pela construtora, estaríamos sem nenhuma assistência. Ninguém se dignou a vir aqui”, disse.
Ele é quem estava no local do desmoronamento quando o corpo foi encontrado e chegou a passar mal quando soube da notícia. “Ele foi muito bem amparado por nós. Foi medicado, a pressão chegou a 18/12, mas agora ele está bem”, contou a coordenadora da Defesa Civil, Joana D’arc Teixeira.
A confirmação de que o corpo encontrado na madrugada de ontem sob os escombros do prédio que desabou era mesmo de José Paulo Barros, 60 anos, foi anunciada através de uma coletiva realizada no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.
Um grupo com cerca de dez pessoas estava na manhã de ontem no Instituto Médico Legal (IML) esperando para fazer o reconhecimento do corpo. Entre os familiares e amigos de José, a angústia era grande. O genro do operário, Alexandre Brasil, contou que mesmo passado os cinco dias e com o estado de decomposição avançado, o reconhecimento foi feito de forma rápida. “Ele estava com a roupa que tinha saído de casa no dia para trabalhar, além dos pertences que estavam intactos no seu bolso”.
O diretor do CPC Renato Chaves, Orlando Salgado, afirmou que a identificação foi feita pelos familiares e através de pertences como, celular, molho de chaves e carteira com documentos que estavam no bolso do operário. Mesmo assim, ainda foram realizadas perícias nas digitais para confirmação científica.
TRABALHO
José Barros, que já trabalhava na Real Engenharia há nove anos, era casado e deixou 10 filhos e 15 netos. De acordo com Brasil, genro do operário, José costumava trabalhar todos os sábados e alguns domingos. “Ele gostava muito do que fazia. No sábado, antes do desabamento, ele ficou em casa. No dia da tragédia ele resolveu ir e olha no que deu”.
Brasil também comentou que José Barros era sempre o primeiro e o último a sair, pois sempre ligava e desligava o alarme. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar