Profissionais dos hospitais de Guarnição do Exército (HGuMba) e Regional do Sudeste do Pará, que atenderam Jéssica Jorrana Nascimento de Oliveira, estão sendo acusados de cometer uma sucessão de erros médicos, desatenção e diagnósticos contraditórios, que culminaram na morte da jovem e do seu bebê. Na tentativa de responsabilizar os agentes pelo ocorrido, a família de Jéssica protocolou na Justiça uma ação indenizatória contra a União e o Governo Federal por danos morais e materiais, alimentos e pedido de tutela antecipada no valor total de R$ 1.018.945,25.
A dona de casa de 20 anos morreu no dia 12 de janeiro, no Hospital Regional, onde foi internada após complicações no parto cesáreo, realizado no HGuMba no dia 28 de dezembro. O bebê de Jéssica morreu, na opinião da família, também em função do mau atendimento prestado à paciente. Além da indenização de R$ 1 milhão, a ação requer verba indenizatória estipulada em dois salários mínimos mensais para o primeiro filho de Jéssica, ressarcimento dos danos materiais no valor de R$ 6.705,25 e o pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.
Depois de formular a denúncia ao Ministério Público do Estado do Pará, que requisitou tanto ao HGuMba quanto ao Hospital Regional a entrega do prontuário completo da paciente, é que Paulo Robson Santos de Oliveira, marido da vítima, fez uma análise minuciosa do prontuário de Jéssica, com ajuda de sua advogada Paula Cristina Santos Oliveira.
A advogada acusa o HGuMba de ter fraudado os prontuários de Jéssica, justificando a indenização para as lesões materiais, psicológicas, morais e físicas que atingiram a família.
Ao confrontar a folha de “Evolução” e a “Continuação do Prontuário” da paciente, a ação argumenta que é possível detectar contradições acerca do horário em que o parto cesáreo teve início, apresentando evidências claras de que o prontuário foi alterado, como foi descrito em trecho do documento: “vê-se com destreza que a folha de continuação de prontuário foi totalmente montada com o intuito de ludibriar os familiares das vítimas, bem como a Justiça”.
OUTRO LADO
Em resposta ao ocorrido com Jéssica, o Comando da 23ª Brigada de Infantaria de Selva emitiu nota afirmando que todos os procedimentos médicos especializados foram prontamente prestados em todos os momentos em que a paciente procurou o HGumba, além de ter providenciado evacuação imediata para o Hospital Regional de Marabá no momento em que o quadro clínico da paciente evoluiu para a necessidade de cuidados médicos intensivos.
(Diário do Pará)
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