“O prédio caiu e é minha vida que está desmoronando”. Assim Marlea Cardoso, 45 anos, resume a situação que vem passando desde que o edifício Real Class desabou no último sábado. O prédio ficava do outro lado da travessa Três de Maio, bem na frente da casa dela. Por causa da tragédia, hoje a dona de casa vive intranquila, pois precisa cuidar do marido doente.
Os dois ainda estão no hotel cedido pela construtora para as vítimas. “Meu marido tem 72 anos, é paciente crônico. Não sabemos o que fazer. Tenho ficado nervosa e nem durmo mais direito. A casa de dona Marlea fica entre duas outras que foram interditadas. Ela diz que a sua foi comprometida e por isso o temor em retornar à antiga residência, onde vive há 20 anos. “Vi que parte da estrutura dela foi prejudicada e tenho medo que caia. E eu teria que ir lá, já que todos os medicamentos do meu marido ficaram lá”.
Já Francisco Moraes, 53 anos, não sabe contabilizar os prejuízos que teve. A filha dele, que testemunhou a queda da obra, estaria em estado de choque, chorando muito e sofrendo com insônia. Mesmo assim, o que ele quer é voltar para casa. “Queremos saber se existe risco de voltar para casa. Ficamos nessa tensão. Minha família está na casa da minha cunhada e não consigo pensar em voltar para casa porque olho e tem outro prédio enorme bem na minha frente”.
Os dois possuem algo em comum: o medo de voltar para o local onde tudo aconteceu e o nervosismo em relembrar a situação desesperadora que viveram. Para a psicóloga Danielle Alves, os traumas são comuns em acidentes e situações desestabilizadoras, como assaltos, acidentes e grandes tragédias. “É natural que as pessoas se sintam perdidas, com dificuldades de alimentação, insônia, ansiedade”, explica a psicóloga. A partir disso, ela diz que podem surgir diversos tipos de transtornos. “É o chamado estresse pós-traumático, que pode provocar a Síndrome do Pânico”, afirma.
Para ajudar a enfrentar os problemas que podem surgir, o ideal, ensina, é procurar acompanhamento psicológico. “Algumas pessoas retomam à sua normalidade com mais facilidade que outras. Primeiro, ela precisa ter a segurança necessária para isso”, orienta.
Sônia da Costa Silva, 50 anos, moradora do edifício Blumenau, ao lado da obra que desmoronou, e continua interditado, acredita que o mais importante é ter a satisfação dos responsáveis para poder viver bem novamente. “A gente só espera ter cobertura de todos os constrangimentos que passamos”. (Diário do Para)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar