Pessoas andando com malas, saindo ou entrando nas casas e prédios, se tornou cena corriqueira na travessa Três de Maio. Mas muitas ainda não puderam voltar aos seus lares por questões de segurança e danos nas casas desde o colapso do edifício Real Class, no último sábado. “Minha casa está cheia de rachaduras próximas ao teto. Ficou bastante danificada, estou preocupado em ficar aqui dentro com a minha família. Preciso que seja vistoriada e reparada logo”, apontou Francisco Carlos Teixeira de Souza, autônomo que mora na casa em frente ao edifício Londrina.
“Temos 96 residências aqui, sendo que 87 são casas, 5 são estabelecimentos comerciais, 3 são prédios residenciais e uma é essa biblioteca pública onde está funcionando a central de crises”, informou o tenente Esaú Almeida, da Defesa Civil do Estado.
A arquiteta Rosário Sá Ribeiro, da Defesa Civil Municipal, é procurada constantemente pelos moradores da rua. Ela é responsável por vistoriar as casas e prédios próximos ao local do acidente. Marileide estava entre os que a procuraram ontem. Ela pedia que visitasse a casa em que vive com a mãe, que sofre de Alzheimer e precisa voltar para lá.
Rosário ouve todos com atenção e corre tentando vistoriar o maior número de residências possível num dia, a fim de produzir laudos que são encaminhados para a construtora Real. “Já vistoriamos 80 casas, mas faltam os laudos que, em alguns casos, sugerem reparos que serão executados pela construtora. Sei que tem moradores que já retornaram, mesmo sem a vistoria ter sido realizada, mas se não liberamos as casas é para a própria segurança deles. Agora temos 16 casas que estão realmente interditadas, por terem problemas mais sérios, como rachaduras que poderiam já existir e que foram intensificadas pelo evento”.
Com um rombo enorme na parede lateral, a casa que fica do lado esquerdo do terreno do prédio que desabou parece condenada. Mas, segundo a arquiteta, todas as casas têm possibilidade de conserto: “Se o pilar dessa casa não tiver sido afetado, estiver íntegro, ela pode ser reparada. Caso não seja possível, fazemos a demolição”.
Quantos aos prédios residenciais, que estão deixando muitos moradores da rua preocupados, Rosário esclarece que o Real Dream, já liberado para o retorno dos moradores, teve um trincamento na parede, mas que não afetou a estrutura, e que o Blumenau também já foi vistoriado, não sendo necessário nem a colocação de escoras, mas ainda não pode ser reocupado. “Os moradores devem entender que a construtora irá fazer os reparos trabalhando em cima do nosso laudo. Os casos mais urgentes eles já acataram, então é preciso aguardar um pouco. Esperamos que até sexta-feira seja possível vistoriar todas as casas”. (Diário do Pará)
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