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Parentes passam mal no adeus aos operários

O luto e a luta dos trabalhadores de construção civil continua. Ontem, os dois trabalhadores que morreram durante a queda do edifício Real Class, no último sábado, foram enterrados. Cerca de dez ônibus, lotados de carpinteiros, pedreiros e marceneiros de

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O luto e a luta dos trabalhadores de construção civil continua. Ontem, os dois trabalhadores que morreram durante a queda do edifício Real Class, no último sábado, foram enterrados.

Cerca de dez ônibus, lotados de carpinteiros, pedreiros e marceneiros de vários empreendimentos de Belém, saíram pelas ruas da cidade para acompanhar o velório e enterro do operário José de Paula Barros, 60 anos, que trabalhava na obra do edifício desde o começo e foi retirado dos escombros na madrugada da última terça-feira.

Pela manhã, representantes dos sindicatos que representam os trabalhadores passaram nos canteiros de obras de Belém chamando os trabalhadores para prestarem uma última homenagem aos companheiros de profissão.

“Estamos aqui para nos despedir e para exigir melhores condições de trabalho. Não aguentamos mais ficar enterrando nossos companheiros”, desabafou o secretário do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém, José Tavares.

O primeiro velório que eles acompanharam foi de José de Paula. A rua das Palmeiras, na rodovia Transcoqueiro, onde a vítima morava com a família, ficou praticamente interditada com a quantidade de gente que compareceu ao local para se despedir do operário.

Na casa de José não cabia todo mundo. Uma fila na porta foi formada para que todos pudessem dar o último adeus. O caixão estava coberto apenas com uma foto de José. Ao lado do caixão, a viúva do operário, Maria Irene Barros, estava desolada, com um olhar vago e um pensamento distante.

SOFRIMENTO

“Fico pensando no quanto ele deve ter sofrido. Deve ter sentido muita dor, muito desespero. Ele não merecia morrer assim”, disse a mulher. Após o corpo ser velado, os familiares e amigos, seguiram em cortejo até um cemitério particular, em Marituba, onde o corpo foi enterrado.

No local, mais emoção. Os filhos do operário estavam inconformados. “Meu pai criou os 10 filhos dele com o suor do trabalho dele. Ele sempre passou isso pra gente, dizia que, mesmo doente, nós tínhamos que ir trabalhar. Ele foi um exemplo de homem”, disse Rosilene de Souza Barros, uma das filhas.

Antes do caixão descer ao túmulo, o coordenador geral do sindicato dos operários, Aílson Cunha, encontrou uma forma diferente de homenagear José de Paula. “Sempre que chegamos para trabalhar em uma obra, temos que responder a uma chamada. Eu vou falar o nome do nosso companheiro José de Paula três vezes, e todos que estão aqui vão responder por ele e gritar: presente”. E assim, o tributo foi feito. Os 2.500 trabalhadores que lotavam a capela do cemitério, gritaram em alto e bom som a mesma palavra. “Assim, ele sempre vai estar presente em nossos corações”, finalizou Cunha. Leia mais no Diário do Pará.

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