O reajuste no preço das passagens de ônibus ainda não foi oficializado, mas as manifestações contrárias ao aumento estão se intensificando. Ontem, um grupo de estudantes participou de uma passeata até o prédio da Prefeitura Municipal de Belém para exibir a insatisfação com a proposta do Sindicato das Empresas de Transporte de Belém (Setrans-Bel), de que a tarifa urbana suba para R$ 2,15.
“O reajuste não afeta somente a locomoção, mas interfere diretamente em todos os setores da vida. Com a passagem alta, as pessoas terão menos dinheiro para investir em educação, saúde e lazer”, afirma Murilo Vale, da Associação Nacional dos Estudantes Livres.
Os manifestantes reclamam que o salário mínimo sofreu reajuste de apenas 6% e a tarifa seria acrescida em 16%. “Queremos o apoio do prefeito para barrar esse aumento, mostrando que ele não se preocupa apenas com os empresários, mas também com a sociedade”, explica a estudante da Universidade da Amazônia e membro do coletivo estudantil Vamos à Luta, Samantha Costa.
Além do congelamento da passagem, o grupo reivindicava ainda a criação de um passe livre para estudantes e desempregados. Um abaixo-assinado também está sendo preenchido para o próximo dia 17, quando ocorrerá um ato de protesto. Na ocasião, será protocolado uma petição pública pedindo a permanência da tarifa atual.
João Paulo Magno, estudante de agronomia da Universidade Federal Rural da Amazônia, mora sozinho e pega mais de quatro ônibus por dia. Segundo ele, o reajuste afetará o dia-a-dia de toda a população. “Tomaremos medidas judiciais se necessárias, mas faremos de tudo para combater esse reajuste”, garantiu.
Presente no ato, o deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSol) manifestou apoio à causa e disse que pretende lutar para que o aumento não ocorra. “Esse é o caminho, o início de uma grande mobilização para que a sociedade seja ouvida”.
NA PREFEITURA
Chegando à prefeitura, os manifestantes foram recebidos pela chefia de gabinete do prefeito Duciomar Costa, que se comprometeu em realizar uma audiência pública, com indicativo para o dia 23 deste mês, para que ocorra uma discussão aberta sobre a questão do reajuste.
Nos bairros de Nazaré e Comércio, trajeto seguido pelos manifestantes, o trânsito ficou bastante lento. Sem agentes da Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel), motoristas foram pegos de surpresa com a manifestação e precisaram esperar cerca de 1h até que a passeata alcançasse seu destino final. “Eu já desisti de me estressar. É como se eu participasse de todas as causas sociais, porque sempre tem um protesto no meu caminho para casa”, brincou a pedagoga Carla Souza.
Na quinta-feira passada, o Sintsep-PA (Sindicato dos Servidores Federais), o Sintram (Sindicato dos Rodoviários de Ananindeua e Marituba) e o DCE/Unama protocolaram denúncia no Ministério Público Estadual solicitando a instauração de ação civil pública contra a proposta de aumento no valor da tarifa para o valor de R$ 2,15 (Diário do Pará).
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