Mais de 31 mil pais buscam filhos entre as 8 mil crianças que aguardam por adoções. Este quadro divulgado no final de janeiro pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou, porém, que 37% dos pretendentes a pais exigem que filho seja da cor branca. Mais do que provocar protestos, essa última informação traz à tona um desejo que difere da realidade brasileira, onde as vítimas de abandono ou orfandade são majoritariamente crianças negras e pardas.
Em nosso Estado, o cadastro nacional de adoção do CNJ relata 40 crianças disponíveis para adoção. Destas, 60% são de cor parda. “Infelizmente, a maior parte dos pretendentes acredita que, se encontrarem a criança ideal, ou seja, uma menina de até 3 anos de idade, branca e de olhos claros, ela será perfeita e não terá problemas”, resumiu a juíza auxiliar da 1ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca da Capital, Rubilene do Rosário.
A juíza conta que uma criança à disposição para adoção está numa situação de risco e deve ser duplamente amada. Os estrangeiros adotam sem descriminar, inclusive grupos de irmãos, o que poucos pretendentes aceitam: “Só este mês, foram adotadas cinco crianças negras e pardas, meninos e meninas, pertencentes a dois grupos de irmãos. Agora, a criança só é liberada para adoção internacional depois de esgotada todas as possibilidades de restituição familiar e adoção aqui no Brasil”, informou. No ano passado, 23 crianças foram adotadas por estrangeiros no Estado.
Em 2010, foi instituída a Lei nº 12.010 para melhorar os mecanismos da adoção no país e agilizar o processo de destituição da família biológica da criança. “O meu papel como juíza da vara de infância é ver o que é melhor para a criança, que sempre é o acolhimento familiar em detrimento da permanência num abrigo. O curso preparatório, que com a nova lei se tornou obrigatório para os pretendentes, esclarece sobre questões como o preconceito e a hereditariedade. Procura-se uma criança para uma família, mas na verdade é a criança que deve ganhar uma família”, pontuou a juíza Rubilene. Leia mais no Diário do Pará
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