A greve dos rodoviários da empresa Perpétuo Socorro, que já durava nove dias e afetou cerca de 150 mil pessoas, teve fim na tarde de ontem (8) após um acordo firmado entre o sindicato dos rodoviários e a presidência da empresa. O acordo foi negociado em uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Os ônibus voltam a circular com 100% da frota a partir de hoje (9).
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Estado do Pará, a única reivindicação dos trabalhadores era com relação ao cumprimento da carga horária de sete horas diárias, determinada na Orientação Jurisprudencial de número 342, expedida pelo Tribunal Superior do Trabalho. “O que queremos é que se cumpra a OJ. Ninguém está reivindicando aumento salarial, só queremos que se cumpra essa carga horária”, explica o vice-presidente do sindicato, Edilberto Lima Santos. “Tudo foi causado pela arbitrariedade dos empresários que não quiseram cumprir a carga horária de sete horas”, completa.
DESCONTO
Enquanto a audiência estava acontecendo, o presidente do sindicato dos rodoviários, Altair Brandão, fez uma pausa e foi até a Praça Brasil para conversar com a categoria sobre a proposta de acordo. “Eu não vou decidir nada sozinho lá em cima, por isso vim aqui pra que todos possam votar. Essa é a última proposta, se não aceitarmos, o caso vai para julgamento”. Após algumas discussões mais calorosas, a maioria votou pelo acordo.
O que ficou decidido é que os rodoviários voltarão a trabalhar amanhã e que receberão pela semana trabalhada, que estava em atraso por causa da greve. Com relação aos dias parados, ponto que tomou a maior parte do tempo da audiência, a categoria terá que arcar com os custos. “Pelo acordo, para que os trabalhadores não fiquem sem dinheiro, a empresa vai adiantar cerca de 50% do salário, que será descontada em vinte parcelas”. Os motoristas receberão na segunda-feira o valor de R$ 130 e os cobradores receberão R$ 70. Esses valores é que deverão ser pagos de forma parcelada à empresa.
Apesar de aceitarem o acordo, os trabalhadores ainda não têm garantia de que a carga horária será de sete horas, como reivindicado. O caso ainda será julgado em tribunal na próxima quinta-feira. “Estamos confiantes de que serão concedidas as sete horas diárias. Mesmo se a gente perder, o TST não vai se contradizer, já que eles que expediram a OJ 342”, afirma Altair.
A mesma confiança pode ser percebida no presidente da empresa Perpétuo Socorro, Américo Barata. Ele afirma que o cumprimento da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), que prevê a carga horária de oito horas diárias com intervalo de duas, é mais justa. “No meu entendimento, todo mundo sai ganhando caso seja cumprida a CLT”.
Américo afirma ainda que a greve não teve fundamento. “O que prevê a lei nacional é a carga horária de oito horas. No meu entendimento, não havia razões para essa greve”, afirma. “Numa greve, tem pessoas que são levadas pelos outros e que acabam saindo prejudicadas, por isso, eu resolvi dar esse adiantamento como uma forma de colaboração, não era obrigatório”. (Diário do Pará)
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