Mais uma vez a saúde pública do município demonstra sinais de abandono. Cerca de 25 pessoas esperaram durante a manhã de ontem (8) por atendimento na unidade de urgência e emergência da Marambaia. Segundo informações de muitos que estavam no local, o único médico que havia de plantão no horário da manhã já havia deixado a unidade quando a equipe do DIÁRIO chegou ao local, por volta das 11h.
O estudante Enderson Silva, 13 anos, esperava desde as 8h da manhã por atendimento. “Estou com febre e vômito desde ontem. E ainda não consegui ser atendido porque já sou adolescente”. Os únicos pacientes que foram encaminhados para dentro da unidade foram as crianças que estavam precisando de atendimento urgente.
A estudante Juliana Souza, 25 anos, contou que já era a segunda vez que estava voltando na unidade. “Vim pela manhã e o médico não ia mais atender. Agora voltei antes das 11h para tentar ser atendida”.
Assim como ela, várias pessoas desistiram de esperar e foram tentar atendimento em outra unidade. Mas houve descaso também com os mais velhos. A aposentada Angélica Pereira, 62 anos, aguardava por atendimento deitada em um banco desde as 10h da manhã. A idosa que estava com dor de cabeça e febre desde o sábado só procurou atendimento porque está com o estado mais agravado. “Ela (Angélica) já não está aguentando a dor. Só consegue gemer o tempo todo. Mas parece que ninguém vê isso, pois não dão atendimento a ela”, desabafou a acompanhante que não quis se identificar.
JUSTIFICATIVA
O diretor da unidade, Marcus Rego, tentou justificar a falta do médico alegando que estava no horário de troca de plantão e o médico que deveria assumir o horário intermediário estava atrasado uma hora.
Ainda de acordo com Rego, o atendimento mais lento e a priorização de casos acontece pela pouca quantidade de médicos para atender na unidade. “Os médicos não querem atender na emergência, pois a demanda é muito grande. Hoje eu deveria ter pelo menos quatro médicos e, na verdade, só consigo ter dois”.
Rego alegou também que os casos citados pelo DIÁRIO também caracterizados como urgentes não foram encaminhados para dentro da unidade porque a assistente social que faz a triagem faltou ao trabalho. “Hoje o serviço ficou complicado, pois só estamos com a assistente social do ambulatório e agora ela está vindo dar um auxílio”. (Diário do Pará)
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