O serviço de reparação nas casas atingidas pelo desabamento do edifício Real Class, no último dia 29, começou ontem (8). Pela manhã, cerca de 30 funcionários da construtora Real Engenharia, incluindo pedreiros, mestre de obras, um engenheiro e um estagiário, fizeram uma vistoria em 18 residências que ficaram com a estrutura danificada por conta do desabamento.
Os operários que irão trabalhar na reconstrução das casas são os mesmos que trabalhavam na construção do edifício Real Class. Um pedreiro que não quis se identificar, disse que ainda não se sente à vontade tendo que trabalhar no local da tragédia. “É complicado trabalhar em um local onde dois amigos seus morreram, mas, sei que isso logo vai passar”.
A casa do comerciante Orlandino de Abreu, localizada em frente ao local do desabamento, foi bastante atingida. Ele mostrou para a reportagem algumas rachaduras que ficaram em sua casa. “Tem rachadura em todo lugar, no chão, no teto, no quintal. Eu estou com medo de voltar para minha casa”, disse.
O que também preocupa o morador é que a primeira vistoria feita pelo Corpo de Bombeiros avaliou a casa como imprópria para morar. Logo depois, a Defesa Civil fez uma vistoria e liberou a casa de Orlandino. “Agora eu quero saber o que o pessoal da Real vai dizer. Só sei que só vou voltar depois que a casa estiver 100% segura”.
A construtora ainda não tem um prazo para concluir o trabalho de recuperação das casas, porém, garantiu que a meta é entregar o mais rápido possível para que os moradores possam voltar à rotina. “O primeiro passo é identificar quais os problemas mais graves encontrados nas casas afetadas. Depois do levantamento, começa o trabalho de recuperação”, informou a assessoria de imprensa da construtora, acrescentando que nenhuma casa corre o risco de desabar, apesar de muitas apresentarem rachaduras.
Enquanto o trabalho de reconstrução das casas começava, na travessa Três de Maio, um morador da travessa 9 de Janeiro, distribui para a imprensa uma carta em tom de desabafo. “Fiquei indignado a respeito da tragédia que abalou os moradores da Três de Maio. Gostaria que os moradores fizessem uma manifestação em frente a um dos órgãos responsáveis pela obra, para que alguma atitude seja tomada. Para que construir prédios de 25, 30, 40 andares?”, dizia a carta.
SEM AMEAÇA
O major Augusto Lima, coordenador adjunto da Defesa Civil do Estado, afirmou, que nenhuma casa ou edifício na Três de Maio, ao redor dos escombros do Real Class está interditada por ameaça de desabamento. Segundo ele, os danos causados não representam ameaça de qualquer tipo aos moradores.
Major Lima explicou que o relatório entregue à construtora responsável pela obra, ao final da operação de resgate, mostra danos físicos, não estruturais. “Esse documento deve servir de base para que a empresa execute os reparos devidos a quem sofreu danos materiais. Nossa vistoria é muito rigorosa”. (Diário do Pará)
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