Oito índios da etnia Zo’é deixaram sua aldeia, na área indígena Cuminapanema, no norte do Pará, e viajaram a Brasília para pedir maior atenção das autoridades com seu povo. Do grupo de sete homens e uma mulher que chegou anteontem à capital, seis jamais haviam deixado sua aldeia.
Ontem eles foram recebidos pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e pelo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira. Segundo o coordenador geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai, Elias Biggio, embora os Zo’é tenham se limitado a pedir ao ministro, com a ajuda de tradutores, material de caça e pesca, barcos e combustível, eles precisam é que o Estado os proteja da ação ilegal de garimpeiros e, principalmente, de religiosos que atuam na reserva indígena.
“A região é alvo de grandes projetos econômicos, como de agropecuária e de extração de bauxita e os Zo’é são extremamente vulneráveis já que seu contato com a nossa civilização é muito limitado e eles não têm conhecimento sobre os riscos a que estão sujeitos”, disse Biggio.
Para o coordenador da Funai na reserva, o indigenista João Carlos Lobato, a maior ameaça ao modo de vida dos Zo’é, no entanto, é o trabalho desenvolvido por grupos religiosos católicos e evangélicos que chegam a empregar índios de outras etnias para convencer os Zo’é a seguir suas crenças. Isso, de acordo com Lobato, que vive em Cuminapanema há 15 anos, representa um risco de os índios abandonarem seus hábitos e costumes. (Agência Brasil)
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