O acusado de ter abusado sexualmente de um garoto de 14 anos em agosto do ano passado na Unidade de Saúde II, no Bengui, não é auxiliar de enfermagem ou trabalhou na área, pelo menos na unidade.
A informação foi repassada ontem por José Ohana, diretor da unidade, a Osvaldo Luiz Carvalho, conselheiro do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), que apurava o caso.
Osvaldo informou ontem que o acusado, que se chamaria Olival, atua no posto como agente ou auxiliar administrativo. “Todos os atos que esse senhor cometeu, se é que cometeu, foram nessa condição, e não na condição de auxiliar de enfermagem, segundo nos informou o senhor José Ohana”, disse.
O Coren solicitou que a chefia do posto formalize a situação por escrito. “Não nos compete mais fiscalizar. Nossa apuração encerra aqui”, aponta Osvaldo.
O abuso está sendo investigado pela Polícia Civil. A delegada Socorro Machado, do Pró-Paz, ligado à Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data), ouviu na última sexta-feira a vítima, a mãe dele e o diretor da unidade de saúde. O inquérito corre em segredo de justiça.
Segundo a denúncia, o menor teria ido marcar uma consulta com um oftalmologista para a tia. Chegando à unidade, o auxiliar de nome Olival, de 30 anos, mandou que ele retornasse à tarde. No retorno, o menor teria sido levado para uma sala nos fundos da unidade, onde teria ocorrido o abuso. O acusado teria ainda intimidado fisicamente o menor, além de ter ameaçado de morte, pois seria lutador de jiu-jitsu. A polícia investiga ainda outras possíveis vítimas do funcionário do posto.
A questão veio à tona novamente em função da demora para a liberação do laudo do Instituto Médico Legal, que comprovaria ou não a denúncia. Após cinco meses de espera, o laudo saiu em janeiro, confirmando que houve abuso sexual. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou no domingo passado que o servidor sob acusação de abuso sexual foi afastado até que o inquérito policial seja concluído. A secretaria disse ainda que adotará medidas administrativas que podem culminar com a exoneração do servidor, a bem do serviço público.
Sesma diz que não foi informada da situação
O mais estranho é que a secretaria informou na nota que durante todo este tempo em nenhum momento foi notificada pelas autoridades ou mesmo pela família da vítima, o que impossibilitou a adoção de medidas no momento em que o fato teria ocorrido.
Wilson Machado, diretor do Sindicato dos Médicos, classificou o caso como “gravíssimo” e preocupante e que deve ser apurado até o fim. “Fatos como esse retratam bem a quantas anda a nossa saúde e em que condições os profissionais realizam seu trabalho na capital”.
Machado defende que a prefeitura deveria selecionar melhor seus servidores. “Os profissionais das unidades de saúde deveriam ser admitidos através de concurso público e ter um plano de carreira, com direito à capacitação e treinamento. É claro que isso não impediria um evento desse tipo, mas ajudaria na punição do responsável”, afirmou Machado. (Diário do Pará)
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