Construída por moradores do residencial Rui Barata, uma barricada de pneus e outros materiais pegava fogo em uma das pistas da rodovia Augusto Montenegro no início da noite de ontem, no sentido Icoaraci-Belém. O protesto por melhores condições na área deixou o trânsito conturbado na via.
“Há 14 anos estamos aqui esperando que alguém olhe por nós. As ruas estão cheias de buracos e quando chove a água bate acima do joelho. Várias vezes minha casa já foi para o ‘fundo’. Foram 12 ofícios enviados para a Sesan (Secretaria Municipal de Saneamento), então resolvemos fazer isso e vamos continuar fazendo se a Prefeitura não nos der um retorno”, explicou a aposentada Laudineia Ferreira de Melo. Ao redor dela, centenas de pessoas discutiam com os policiais militares que tentavam contê-los.
Carmen Souza era uma das moradoras mais enfáticas: “Queremos trabalho aqui. Colocaram placas ali na frente da rua dizendo que foram asfaltadas, que realizaram obras da macrodrenagem, mas aonde isso? Estamos vivendo à margem, nem carro da polícia consegue entrar aqui”.
O aspirante PM Ademir, que faz ronda nas proximidades, concordou que é difícil entrar no residencial. “Sabemos da situação, já entrei em contato com o Ciop (Centro Integrado de Operações) solicitando a presença de algum representante da Sesan ou da Prefeitura para prestar esclarecimentos à população”, informou. A Ronda Tática Metropolitana - Rotam foi chamada para reforçar o policiamento.
SEM RECURSOS
O comerciante Alessandro Araújo contou que alguns moradores foram detidos pelos PMs por estarem tentando obstruir toda a via, com certa violência. “Isso não é necessário, estamos aqui reivindicando os nossos direitos, pagamos impostos. Dez moradores morreram porque contraíram leptospirose aqui. Eu vivo sendo assaltado, estamos isolados e não tivemos alternativa”, acrescentou.
A assessoria da Sesan declarou que tem procurado atender as demandas dos moradores, na medida do possível, mas alega que “é muito grande o volume de solicitações e nem sempre há recursos disponíveis para a execução de todos esses serviços”.
ACESSO DIFÍCIL
Moradores reclamam que o acesso ao residencial é prejudicado pelos buracos nas ruas e pela falta de asfalto, o que torna difícil até mesmo a entrada de viaturas da polícia ou ambulâncias na área. Segundo manifestantes, 12 ofícios foram encaminhados à Sesan relatando a situação e pedindo que fossem tomadas providências. (Diário do Pará)
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