A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) está investigando os dois casos suspeitos de dengue hemorrágica no Estado. A secretaria fez coleta de amostras para confirmar se a morte de uma dona de casa em Oriximiná, no último sábado, e a causa da internação de uma mulher de 46 anos em Marituba, na última sexta-feira, foram causadas pela doença.
De acordo com a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Dengue da Sespa, Carla Garcia, as amostras foram encaminhadas para o Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen). “A paciente de Marituba está estável. Já fizemos a coleta da amostra para identificar se de fato é dengue hemorrágica”.
Mesmo diante dos dois novos casos, a coordenadora evita falar sobre situação agravada da dengue no Pará. Segundo Carla Garcia, desde janeiro deste ano foram identificadas nove mortes suspeitas de terem sido causadas pela dengue - apenas uma delas já foi confirmada. Com a morte que aconteceu em Oriximiná, esse número pode subir. “Nós já temos alguns dados novos sobre a situação da doença, mas ainda estamos condensando”.
Sobre o procedimento recomendado às unidades de saúde dos municípios pela Sespa, Carla disse que o atendimento é feito de acordo com os sintomas. “Ao sinal dos primeiros sintomas, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde onde será feita uma avaliação e a medicação. Isso não significa que a pessoa terá que ficar hospitalizada”, afirma. “Caso a pessoa volte para casa e sinta os sintomas mais graves, como sangramento, dificuldade de respirar e vômito, ela deve voltar ao posto de saúde onde será feita uma nova avaliação”.
Segundo ela, a Sespa é informada diariamente pelos municípios apenas dos casos mais graves e dos óbitos. O quadro da evolução da doença durante a última semana deve ser divulgado somente na próxima quarta-feira.
Por enquanto, os casos suspeitos de dengue em todo o Estado chegam ao número de 4.484.
Ir logo ao médico diminui chances de agravamento
A dengue tem voltado a assustar no Pará. No último sábado, a dona de casa Suely Sena da Silva, 43 anos, morreu no Hospital Municipal de Oriximiná, vítima de dengue hemorrágica. Em Marituba, uma mulher continua internada com suspeita de dengue hemorrágica.
A médica infectologista e vice-diretora do Hospital Universitário Barros Barreto, Helena Brígido, alerta sobre a necessidade do diagnóstico precoce. Segundo ela, quanto mais cedo o paciente for tratado, menor será a chance de a doença evoluir. “Às vezes, a pessoa já chega ao hospital com o quadro avançado e acaba complicando ainda mais as coisas”.
A infectologista orienta que as pessoas que apresentarem dor de cabeça, febre e manchas no corpo devem procurar imediatamente um hospital ou uma unidade de saúde. Ela explica que o tratamento é simples: hidratação e sintomáticos. “Os hospitais e as unidades de saúde têm condições para oferecer o tratamento aos pacientes com dengue, precisam apenas manter um constante processo de capacitação dos profissionais”, ressalta.
PERFIL
A coordenadora estadual da dengue no Pará, Carla Garcia, afirma que neste momento a dengue no Pará tem atingido com maior frequência pessoas que estão na faixa etária entre 20 e 34 anos, que representam 30% dos casos. Mas não é regra a incidência de casos nesta faixa. “Depende do sistema imunológico de cada paciente.”
Já Helena Brígido alerta que é necessária atenção especial com as grávidas, além dos portadores de doenças pré-existentes, como diabetes, hipertensão arterial, Aids, lupus, e câncer, dentre outras.
Com as crianças, é preciso ter um cuidado ainda maior porque geralmente elas não sabem definir ou reclamar dos sinais e sintomas. “Por isso, o Ministério da Saúde lançou o manual de manejo específico para crianças que está sendo divulgado para todos os profissionais de saúde”, diz Helena.
Dados do Ministério da Saúde mostram que até 2004 praticamente não havia registro da doença em menores de 15 anos no Brasil. Hoje, eles já representam 25% dos casos em todo o país. (Diário do Pará)
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