Desde 1980, quando Marabá foi engolida pela maior enchente que se tem registro até hoje, o marabaense absorveu a ideia de que - em maior ou menor escala - todos os anos o rio Tocantins avança sobre a parte mais antiga da cidade, sempre nesta época.
Ao longo dessas três décadas, as administrações municipais têm se mostrado despreparadas para agir. São pegas, inexplicavelmente, de surpresa e ficam obrigadas a correr contra o tempo para construir abrigos para os flagelados. Este ano não está sendo diferente.
O nível do rio Tocantins superou ontem (22) a sua cota de alerta (10 metros). Mesmo assim não existe sequer uma barraca de palha ou de lona preta levantada pela Defesa Civil no município. Quem já foi obrigado a sair de casa, correu para a residência de amigos e de parentes. O drama recomeçou.
É o caso do rabeteiro Domingos Pereira Marinho. Ele pendurou parte dos móveis no alto das paredes da casa de madeira e saiu de lá com a família, indo para a casa de um vizinho, que fica um pouco mais no alto, mas também está ameaçada pela enchente. Domingos mora no bairro conhecido como Vila do Rato, que é, na verdade, a extensão da avenida Getúlio Vargas, na Marabá Pioneira.
A mesma aflição é compartilhada pela manicure Maria Joana da Silva. “Não temos para onde ir”, desabafou a moradora, que vive ali com a filha e três netinhos. Outro morador da área, conhecido como “Zé Bola”, também teve que se retirar, com a família, para a casa de um parente.
BUROCRACIA
O relato desses três personagens vai de encontro com as declarações do coordenador da Defesa Civil em Marabá, Joabe Chaves, que disse em entrevista à Rádio Clube de Marabá, que ninguém foi atingido pela enchente ainda.
Já o coordenador adjunto da Defesa Civil Municipal, Francisco Ribeiro Alves, confirmou que a Prefeitura ficou de concluir a qualquer momento a licitação para a compra do material que vai ser usado na confecção dos abrigos.
Os entraves burocráticos têm causado sérios prejuízos não só às ações da Defesa Civil.
Na semana passada, o atraso na tomada de preços para compra de insumos para o Hospital Municipal fez com que faltasse até gás de cozinha naquela casa de saúde.
Enquanto isso, os arredores do ginásio poliesportivo de Marabá, que pelo espaço e localização tem sido o principal abrigo para os atingidos pelas enchentes nos últimos 10 anos, ainda não recebeu qualquer estrutura para dar suporte às vítimas da cheia este ano.
A extinta Feira Álvaro de Barros, atualmente sem utilidade, e que servia como primeira opção de abrigo por ficar razoavelmente perto das áreas mais atingidas, está coalhada de mato. (Diário do Pará)
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