O caso de Amanda Franco, 17 anos, publicado na edição de ontem no DIÁRIO, teve um final trágico. Horas após serem avisados de que a jovem estava com dengue hemorrágica, os familiares foram surpreendidos com a notícia de que ela fora diagnosticada com morte cerebral.
Ainda sem acreditar na tragédia, José Maria Franco, pai da adolescente, mantinha esperanças de que o quadro da filha fosse revertido, mesmo com a descrença médica. “Ele ainda não se conformou e é o mais abalado de todos”, comenta o Glabson Franco, primo da vítima.
Para a família, a tragédia é consequência de um tratamento desatento e negligente por parte das unidades de saúde de Belém. “Tanto a Santa Casa quanto o Pronto Socorro da 14 (Mário Pinotti) foram os verdadeiros responsáveis pela morte dela. Tudo poderia ser diferente se tivessem diagnosticado ela mais rápido”, afirma Glabson.
A mãe de Amanda, Márcia Franco, preferiu não entrar em detalhes, mas afirmou que pretende processar o PSM e os médicos que atenderam Amanda. “Como é possível eles terem demorado tanto para descobrir o que a minha filha tinha? A culpa de ela ter piorado foi dos médicos, que disseram que ela podia estar com quatro doenças diferentes. Eles não têm competência para saber a doença de um paciente?”.
Amanda ainda está na Unidade de Tratamento Intensivo do Pronto Socorro Municipal, na travessa 14 de Março, onde deu entrada no último domingo. Em apenas sete dias, ela havia sido diagnosticada com quatro possíveis doenças: síndrome hemorrágica, anemia crônica, dengue hemorrágica e púrpura. A confirmação que a menina estava com dengue hemorrágica só se deu após quase uma semana de internação.
Sobre a possibilidade de processos judiciais, a Secretaria Municipal de Saúde informa que aguardará notificação oficial da Justiça, mas ratifica que o Pronto Socorro Mário Pinotti realizou todos os procedimentos possíveis para salvar a jovem. Em nota, a assessoria explica que Amanda já deu entrada na unidade em coma induzido e que o quadro grave foi em decorrência de atendimentos incorretos realizados anteriormente. A assessoria da Santa Casa de Misericórdia não foi encontrada para comentar o caso.
A coordenadora de Controle da Dengue da Sespa, Carla Garcia, informou que existem campanhas permanentes que reforçam aos médicos a importância do primeiro atendimento. Ela também informou que esse ano a Sespa confirmou uma morte por dengue no Pará. “Tivemos 13 óbitos suspeitos e apenas um foi confirmado. As últimas mortes que ocorreram não tiveram confirmação de que a causa foi realmente dengue hemorrágica”.
FISCALIZAÇÃO
Condições precárias de higiene em meio a muitos focos de dengue. Essa foi a situação encontrada em três prédios em construção visitados pelos agentes da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), na manhã de ontem.
A ação faz parte de um trabalho preventivo à dengue e também pretende diminuir os perigos à saúde dos trabalhadores. “Resolvemos fazer uma ação conjunta. Eliminar foco de dengue nos canteiros de obra e, ao mesmo tempo, fiscalizar para saber em que condições de higiene eles trabalham”, disse Kelly Martins, técnica do Departamento de Vigilância Sanitária de Belém (Devisa).
O agente de saúde Cristiano Andrade ressaltou que os prédios em construção acumulam muitos focos de dengue porque não há uma preocupação por parte dos repensáveis pela obra. “Os focos que encontramos nesses ambientes, são chamados de foco geradores, que acabam proliferando os mosquitos”. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar