Eu não tô mais esperando por diálise, já tô quase morrendo”. Essa é a resposta de Francisco André da Costa, de 84 anos, quando perguntado sobre a espera para o tratamento de hemodiálise. Paciente renal crônico, ele começou a apresentar problemas nos rins há 12 anos e desde então aguarda para fazer o tratamento. “Eu não vou mais fazer, cansei de esperar. Vou deixar a vaga para outro”, afirma.
Casos como o de Francisco, assim como a morte, na última quarta-feira, de Raimunda Carvalho, 85 anos, e de Raimunda Ribeiro, 67, que esperavam pelo tratamento de diálise na rede pública de saúde, não são casos isolados. Atualmente, existem cerca de 280 pessoas esperando por um leito para fazer o tratamento em todo o Estado, de acordo com a Associação dos Renais Crônicos do Pará.
Segundo a secretária estadual de Saúde, Rosemary Góes, o Pará apresenta um déficit de 212 máquinas. “Nós temos 16 serviços de diálise no Estado e precisamos de mais 36”, afirma. Ainda assim, ela diz que o problema não pode ser resolvido apenas com a instalação de novas máquinas. “Para se instalar um serviço de diálise, não é só instalar máquina. É preciso toda uma estrutura de diagnóstico e UTI”.
Segundo ela, a Sespa está trabalhando para colocar em funcionamento mais máquinas que devem amenizar a situação dos doentes renais crônicos. Rosemary afirma que o termo aditivo negociado na última quarta-feira com o Hospital Santo Antônio Maria Zacaria, localizado no município de Bragança, vai possibilitar que as dez máquinas de hemodiálise que estavam paradas no hospital sejam colocadas para funcionar dentro de 30 dias. “Essa expansão de Bragança vai beneficiar 60 pessoas”, afirma.
Além dessas máquinas, ela afirma que mais cinco que estavam paradas em Santarém serão trazidas e divididas entre os municípios de Redenção e Altamira para que entrem em funcionamento.
Enquanto as novas máquinas não são instaladas, pacientes continuam morrendo à espera de tratamento.
Foi o que aconteceu com Antônia Borges, 42 anos, no último sábado. Ela deu entrada no Pronto-Socorro Municipal do Guamá na segunda-feira com pedra nos rins e faleceu à espera de hemodiálise. “Ela estava esperando para fazer hemodiálise, mas não tinha leito”, diz a irmã de Antônia, Socorro Pinheiro. “O que matou ela foi porque ela não fez a diálise”, afirma, completamento que a causa da morte da irmã foi diagnosticada como insuficiência renal.
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