Os sonhos de muitas pessoas vieram abaixo às 13h45 de um sábado chuvoso, juntamente com 4 mil toneladas de entulho - peso aproximado do prédio -, sem contar nas três vidas que se perderam em meio aos escombros. Hoje se completa um mês do desabamento do Real Class, na travessa Três de Maio. O perímetro hoje voltou a ficar permeado de pessoas
que ali moram, trabalham, usufruem de serviços ou simplesmente passam, olhando para o local que se tornou um triste vazio na paisagem da cidade. Para solucionar esse mistério e dar algumas respostas, inclusive à população, é que os peritos do Centro de Perícias Científicas (CPC) Renato Chaves ainda estão retirando peças para montar o ‘quebra-cabeças’ e descobrir o que realmente ocorreu .
Em até cinco meses, contando da data de hoje, será entregue o laudo da perícia oficial para o delegado Rogério Moraes, encarregado do caso, onde deve constar a causa da queda do Real Class. O prazo foi reafirmado pelo diretor geral do CPC Renato Chaves, engenheiro civil Orlando Salgado Gouvêa. Ele explicou que o trabalho de campo dos peritos deve se encerrar nas próximas duas semanas.
“Chegamos ao local no dia do desabamento, mas é um trabalho técnico e minucioso e as etapas precisam ser respeitadas”, esclareceu Salgado. “Estamos no andar térreo do prédio, tirando fotografias e fazendo medições. Encerrada a coleta de material e a investigação lá, vamos para a análise laboratorial das peças, que envolve teste de resistência mecânica do concreto e do aço”, informou, completando que o trabalho de escritório está sendo executado. “Acessamos a documentação da construtora, registros, notas fiscais, relação de compras de materiais da obra, além do projeto de infraestrutura, de fundação e sondagem”.
Na parede atrás da mesa, do delegado Rogério Luz, duas fotos mostram o antes e o depois da queda do Real Class. Esta é a sala do delegado escolhido para coordenar os autos e o inquérito criminal sobre a queda do prédio. “Precisamos descobrir o que aconteceu, o que causou a queda do prédio para darmos segurança às pessoas que lá vivem”.
Segundo ele, o prazo de lei para conclusão da investigação policial encerrou ontem. “Teria 30 dias para concluir o inquérito contando da data da queda, mas vou pedir dilação de prazo porque preciso ter um embasamento legal do trabalho técnico (da perícia) que é fundamental para as investigações”.
O delegado lembrou que logo após a queda fez um ofício solicitando um parecer ao Instituto Nacional de Meteorologia, que recebeu a resposta de que as condições climáticas no sábado não influenciaram no desabamento. “O engenheiro Edickson Pedro Fonseca Paes, proprietário da Solotécnica, que respondeu pelo projeto e execução da fundação do edifício, nos apresentou o projeto, assim como o engenheiro calculista Raimundo Lobato, nos forneceu o memorial de cálculo. Nesta semana tomaremos novos depoimentos dos que trabalharam na obra, vamos aguardar a entrega do laudo e continuar colhendo depoimentos”.
A Universidade Federal do Pará terá que entregar um laudo pericial encomendado pela comissão coordenada pelo Conselho Regional do Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-PA). “Nós fizemos questão de nos envolver agora, de investigar, descobrir o que aconteceu e provar para os mil alunos que aqui estudam que a profissão que eles escolheram não é para se arrepender”, enfatizou o coordenador da Faculdade de Engenharia Civil da UFPA, Manoel Diniz Peres.
O laudo será gerado após serem feitas a análise do projeto e testes no laboratório do Instituto de Tecnologia da faculdade por nove professores engenheiros civis com titulações competentes em materiais, fundações e estruturas.
>> Leia mais no site do Diário do Pará
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar