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Amarrados ao hospital para não perder a diálise

Há sete meses a casa da estudante Fernanda Menezes de Souza, 16 anos, é o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna. Portadora de lúpus - doença causada por um desequilíbrio no sistema imunológico -, a estudante foi internada no hospital quando se tornou

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Há sete meses a casa da estudante Fernanda Menezes de Souza, 16 anos, é o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna. Portadora de lúpus - doença causada por um desequilíbrio no sistema imunológico -, a estudante foi internada no hospital quando se tornou renal crônica e, desde então, depende de tratamento de hemodiálise semanal. É em um quarto de hospital que ela e sua mãe, Maria das Mercês Menezes, passam todos os dias da semana. Elas só podem sair aos sábados e domingos.

Fernanda já poderia estar em casa, já que a doença está controlada, mas para não perder a vaga no tratamento de hemodiálise, ela é obrigada a permanecer no hospital. “Esse tratamento (de hemodiálise) é só para quem está internado no hospital, se ela sair e for pra casa vai ter que ficar esperando em uma fila para conseguir o tratamento e não tem vaga. Tem 220 pessoas esperando uma vaga externa para fazer hemodiálise. Só estamos esperando essa vaga para ir para casa”, explica a mãe da adolescente.

Enquanto não consegue uma vaga para fazer o tratamento em casa, Fernanda sofre com o isolamento do hospital. “É muito ruim ficar aqui. A gente fica privado das outras coisas. Aqui não temos o que temos em casa”, diz ela. “Eu sinto falta de tudo, da minha cama, do meu padrasto, do meu cachorro”. A família dela vive em Capanema e a distância é o que mais causa tristeza às duas. “Eu quero voltar para casa com a minha filha. Imagina só como é você viver isolado num canto com pessoas que você não conhece. O que mais faz falta é o aconchego da família”, desabafa Maria.

Por causa dessa situação, Fernanda teve que se adaptar ao ambiente do hospital para fazer as coisas do dia a dia. “Ela está fazendo o segundo ano do ensino médio. Os professores vêm dar aula para ela duas ou três vezes por semana”, explica a mãe. “Eu tô conseguindo continuar os estudos, mas não é muito bom porque estamos privados de tudo aqui. Não é a mesma coisa do que se fosse em uma sala de aula”, conta Fernanda.

Diante disso, Maria das Mercês sonha cada vez mais com uma vaga de tratamento de diálise externa. “Ela tem necessidade de uma vida normal de adolescente. Jamais a gente quer ficar no hospital. Se temos condições de ir pra casa, então queremos voltar”, diz. “Se ela estivesse fazendo o tratamento em casa poderia ir à escola e conviver com os amigos e só teria que voltar ao hospital três vezes na semana para fazer o tratamento”.

De acordo com a diretora assistencial do Hospital das Clínicas, Renata Alves, em resposta encaminhada pela assessoria de comunicação através de nota, há, atualmente, 32 leitos de internação hospitalar ocupados por pacientes que estão em condições de receber alta no hospital. “Estes pacientes estariam em condições de realizar hemodiálise ambulatorial, liberando os leitos para aqueles que realmente necessitassem de tratamento em regime de hospitalização, entretanto não há vagas de hemodiálise ambulatorial disponíveis para recebê-los”, diz a nota.

O hospital diz ainda que dispõe de 14 máquinas, com capacidade para atender a 84 pacientes em regime de três sessões semanais de hemodiálise. “Entretanto, atendemos no momento a 66 pacientes que fazem parte de nosso programa de diálise ambulatorial e a 32 pacientes que realizam hemodiálise em regime de internação, o que ultrapassa nossa capacidade instalada de equipamento e pessoal”.

Essa situação é o que incomoda Débora Neves Cardoso, de 23 anos. Ela também está internada no Hospital das Clínicas para garantir o tratamento de hemodiálise. Sua espera para conseguir o tratamento externo que vai possibilitar que ela volte para casa já dura quatro meses. “Tem dias que a gente acorda triste porque a gente quer sair e dar o leito para outras pessoas que estão precisando, mas não temos como.”

Ela ainda tem que se preocupar com os riscos de permanecer no hospital sem necessidade. “O risco de infecção é grande porque eu tenho a imunidade muito baixa”, diz, ao informar que se tornou renal crônica por causa do lupus.

Assim como Fernanda, não é fácil para Débora ficar presa ao hospital. “Não faço nada o dia inteiro, só fico deitada escutando música. A terapeuta, que ainda faz algumas atividades com a gente, está de férias. Então não fazemos nada”.

Apesar de ficar em um quarto com mais duas pessoas, ela tem que conviver com a solidão. “Eu fico sozinha aqui. Não deixaram ficar nenhum acompanhante comigo porque tenho 23 anos. Só pode ficar acompanhante com crianças e idosos”. Mesmo morando em Curuçá, ela afirma que o tratamento pode vir de qualquer lugar. “Queria uma vaga externa em qualquer lugar, contanto que eu saísse daqui”. (Diário do Pará)

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