Merenda de baixa qualidade e com pouca variedade. É assim que alguns alunos veem a situação da merenda escolar nas escolas da rede pública estadual de ensino em Belém. “Tem dias que falta merenda também. E quase sempre é sopa, é difícil vir outra comida”, conta Laíse Gonçalves, aluna da 6ª série da escola Maroja Neto, na Pedreira.
Os problemas com a merenda vão além da baixa qualidade. Um aluno da escola, que preferiu não se identificar afirma que às vezes os estudantes fazem coleta para comprar tempero para a comida. “Mas quase ninguém dá e aí fazem com o que tem mesmo. Fica só água. A gente prefere comprar lanche lá fora”, diz.
A opinião dos alunos confirma os dados divulgados esta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) resultantes do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) para a área de educação. O estudo ouviu 2.733 pessoas em todo o Brasil e os dados revelam que uma média de 39,7% da população considera apenas regular a merenda escolar servida na Região Norte.
Outro dado que chama a atenção é a proporção de entrevistados que avaliaram a merenda escolar da Região Norte como ruim: 21,7%. Uma divergência grande em relação às regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, onde a população avalia a qualidade da merenda como boa, atingindo médias de 75,8%, 70,9% e 65,5%, respectivamente.
A Região Norte também desponta na pesquisa no que se refere à quantidade de alimentos servidos diretamente. Mais de 50% dos respondentes atestam que a quantidade de alimentos servida nas escolas é “pouca” ou “muito pouca”.
A gerente de alimentação escolar da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Cláudia Albuquerque, afirma que a merenda escolar está regular e que há estoque para este semestre. “No próximo semestre queremos introduzir produtos como polpas de frutas, carne, frango, peixe. Vamos tentar retirar os alimentos artificiais”, diz.
Cerca de R$ 35 milhões foram investidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a compra de merenda no ano passado. A Seduc faz o abastecimento de 413 escolas, para cerca de 600 mil alunos na Região Metropolitana de Belém.
CONTRAPONTO
Apesar da insatisfação com a merenda escolar na Região Norte, alguns alunos de Belém avaliam de maneira positiva o que é servido diariamente. A Escola Honorato Filgueiras, no bairro da Cidade Velha, é um desses exemplos.
Segundo os alunos, a merenda tem variedade e é de boa qualidade. “Todo dia tem uma coisa diferente e também servem suco e iogurte”, conta Brenna Soares, aluna da 2ª série. “A refeição é bastante completa, a minha comida preferida aqui é canja”, completa Ruan da Silva, também da 2ª série.
O cardápio da merenda é montado por nutricionistas, que fazem as escolhas dos alimentos levando em consideração a quantidade de calorias. “No cardápio temos peixe, frango, carne, iogurte, feijão, pão”, exemplifica Victor Cunha, presidente da Fundação Municipal de Assistência ao Estudante (Fmae), que faz a distribuição às escolas.
De acordo com o presidente, ano passado a verba destinada para merenda escolar foi de, aproximadamente, R$ 9 milhões. “Fizemos aquisição de duas mil toneladas de alimentos para distribuir em 180 escolas”, afirma. Ainda segundo Victor, as 800 merendeiras do município passam por treinamentos todos os anos.
MELHORA
A pesquisa também atestou que a qualidade da educação pública apresentou uma evolução positiva: 48,7% dos entrevistados acreditam que a educação melhorou. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) aponta essas melhoras.
Em uma escala de 0 a 10, o Ideb evoluiu - entre 2007 e 2009 - de 4,2 para 4,6 (anos iniciais do ensino fundamental), de 3,8 para 4,0 (anos finais do ensino fundamental) e de 3,5 para 3,6 (ensino médio).
CONSELHOS
Os Conselhos Escolares – compostos por pais, estudantes, professores, servidores da escola e membros da comunidade, que acompanham a gestão da escola – também foram citados na pesquisa. Boa parte da população, 71%, desconhece a existência dos conselhos. (Diário do Pará)
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