Com um discurso repetitivo, o ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, voltou a falar sobre os confrontos que vêm atingindo a Líbia há mais de duas semanas. Nesta quarta-feira, ele fez um pronunciamento com transmissão ao vivo pela emissora de TV estatal, direto da capital Trípoli. Ele voltou a dizer que não concentra poderes e que funciona mais como uma figura simbólica. “O poder da Líbia é o poder do povo”, disse.
Embora esteja há 42 anos no poder, ele insiste em afirmar que não é um ditador. “Eu fui um líder revolucionário em 1969. E por um longo período eu fui um símbolo para o povo, com grande aceitação popular”.
Ele tentou explicar a forma de administração da Líbia, afirmando que se trata de uma nova modalidade de democracia, incompreendida pelo Ocidente. “Desde 1977, eu mesmo e os oficiais (que lideraram a revolução de 1969) entregamos o poder ao povo. Desde 1977 é o povo líbio que exerce o poder", afirmou.
Repetição
A palavra “povo”, aliás, foi a mais utilizada durante todo o discurso de Kadhafi, feito com forte tom populista, acentuado pelas constantes manifestações feitas por apoiadores do regime, estrategicamente dispostos pelo salão onde ocorre a audiência.
“Não tenho nenhum poder sobre este país. Quero lembrar a vocês, e lembrar ao mundo, que o sistema é administrado pelo povo. Os membros de nossos comitês populares ajudam a manter a liberdade”.
Ele voltou a criticar a pressão dos Estados Unidos, da ONU e da União Europeia para que deixe o poder. E mais uma vez, ameaçou os manifestantes que pedem a sua saída em várias partes do país. “O povo não aceitará novos excessos”.
(eBand)
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