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'Fugitivos' da cheia pegos de surpresa

O cartão postal de Marabá, a orla do Tocantins, já se transformou na paisagem que também é característica do município nesta época do ano, com o rio atingindo parte considerável da Marabá Pioneira. Os abrigos montados pela Defesa Civil vão se transformand

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O cartão postal de Marabá, a orla do Tocantins, já se transformou na paisagem que também é característica do município nesta época do ano, com o rio atingindo parte considerável da Marabá Pioneira. Os abrigos montados pela Defesa Civil vão se transformando em uma nova Marabá: a do flagelados. E tem sido assim, todos os anos, há mais de três décadas. Até ontem (4), cerca de 3 mil pessoas já haviam sido obrigadas a deixar suas casas para morar nos abrigos públicos pelas próximas semanas, ou quem sabe meses. Só a natureza sabe. Com o nível do rio Tocantins chegando ontem à marca de 11,78 m (22 cm abaixo da marca crítica), a Prefeitura Municipal de Marabá decretou situação de emergência nas áreas mais atingidas.

Nos abrigos, no entanto, não é a tristeza que impera. Sair de casa por causa das cheias é rotina na vida dos marabaenses que moram na parte baixa da cidade. Já consta no calendário anual dos moradores, como conta o auxiliar de produção Flávio Mateus Bezerra, 29 anos, que teve de sair de sua casa, na avenida Pará, no bairro Santa Rosa, há uma semana. Com a esposa Ana Paula Ribeiro e os quatro filhos (Fernando,11, Marlon, 7, Maicon, 6, e Mikael, 9 meses), ele se organizou no abrigo na praça da orla e conta com o apoio da Defesa Civil.

Desde os nove anos Bezerra “foge” da cheia. “Mas é assim que a gente vive. Nem que eu tivesse condições de sair de onde moro eu não me mudaria. Para mim não tem problema morar no abrigo. Só fico com medo quando a chuva é forte.”

Como nem tudo pode ser levado aos abrigos, os moradores adaptam as casas para pode abrigar pertences. Biana Rodrigues, 26 anos, deixa alguns objetos no telhado da casa, em armários elevados. A autônoma se organizava na manhã de ontem para sair de casa com a família (de cinco pessoas) e se alojar no galpão de um conhecido, que fica na Velha Marabá, mas onde, segundo ela, “é difícil de a água chegar”. O medo de Biana é dos assaltos, já que os bairros mais afetados ficam completamente desertos no período crítico da cheia, o que favorece a ação dos bandidos.

Há vinte anos na rotina das cheias, Biana diz que este ano os moradores “foram pegos de surpresa”. “Começou a encher mais cedo do que nos outros anos e estamos com medo que suba muito.”

Há quatro anos a água atingiu a marca de um metro na casa da autônoma. Flávio também está assustado com a subida do rio. “Foi de repente e está subindo muito rápido”. As duas famílias não têm ideia de quando retornarão ao lar, mas contabilizam os prejuízos: durante e depois. “Trabalhar direito, a gente não consegue, e quando voltar para casa vai gastar com a limpeza, pintura, reconstrução de algo, se for o caso”, enumera Biana.

FORÇA-TAREFA

Na manhã de ontem, o sargento BM Brazão comandava a equipe do Corpo de Bombeiros no monitoramento do nível dos rios e dos desabrigados. Um efetivo de cem homens foi deslocado para acompanhar a situação das cheias durante todo o carnaval. A Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Exército Brasileiro dão suporte às ações de apoio aos desabrigados. (Diário do Pará)

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