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Pobres, jovens e reféns da moderna barbárie

Nicole [nome fictício] saiu aos 11 anos de casa, quando o pai a entregou para um fazendeiro. Abusada desde então, saiu dessa situação só aos 17 anos, quando entrou para a prostituição e foi embora para a Espanha. A trajetória da adolescente, hoje adulta,

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Nicole [nome fictício] saiu aos 11 anos de casa, quando o pai a entregou para um fazendeiro. Abusada desde então, saiu dessa situação só aos 17 anos, quando entrou para a prostituição e foi embora para a Espanha. A trajetória da adolescente, hoje adulta, é um dos vários casos que povoam a pesquisa nacional que há mais de uma década tentou mapear no Brasil as rotas do tráfico de pessoas para fins de exploração sexual ou de comércio. A pesquisadora baiana Maria Lúcia Pinto Leal, 51, que coordena na Universidade de Brasília (UnB) o Grupo de Pesquisa sobre Violência, Tráfico e Exploração Sexual de Crianças, Adolescentes e Mulheres, esteve à frente dos trabalhos da Pestraf - Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para fins de Exploração Sexual Comercial -, que mapeou mais de 240 rotas de tráfico de pessoas no país.

Graduada em Serviço Social e pós-doutorada pelo Programa Pós-Colonialismos e Cidadania Global do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, de Portugal, Maria Lúcia Leal esteve em Belém essa semana para palestras realizadas na Universidade Federal do Pará. Ela concedeu entrevista ao DIÁRIO em conversa com os editores Lázaro Magalhães e Aline Monteiro:

P: A senhora afirma que o tráfico de pessoas é um fenômeno transnacional muito forte e lucrativo, num mercado que está apenas atrás dos comércios de drogas e armas. Que números são esses?

R: Quando coordenamos a primeira pesquisa do Brasil, e a única em âmbito nacional, sobre tráfico de mulheres e crianças e adolescentes para fins de exploração sexual, tivemos muita dificuldade de quantificar, porque é uma coisa bastante complexa que envolve a proteção às vítimas. O que conseguimos quantificar no Brasil em 2000 foram 131 rotas internacionais e 110 nacionais. Para o Norte, detectamos naquela época 45 nacionais e 35 rotas internacionais. São dados extraídos de inquéritos e processos e de informações prestadas pelas redes de enfrentamento à violência sexual em cada região brasileira. Aqui no Norte chegamos a identificar rotas para Paramaribo, Venezuela, Bolívia e Peru. Nessas fronteiras secas esse trânsito de crianças e adolescentes é muito grande. O problema é que a fronteira é uma nação totalmente distinta do Estado, do município. Ali você transita com outro tipo de organização. Leia a entrevista completa no Diário do Pará

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