“Eu quase morri. Estava bebendo e tinha cheirado muito lança-perfume. Foi quando desmaiei e caí com a cabeça ao lado da roda do trio elétrico. Se não fosse meu amigo me puxar pelo abadá, eu ia morrer com a cabeça esmagada. O carnaval ficou no passado”. O relato do jovem baiano Diogo Dantas, de 28 anos, que há seis trocou as folias de Momo pela igreja e hoje é membro da Assembleia de Deus. Assim como ele, fiéis de diferentes religiões trocaram a avenida pela oração durante o feriado.
“Aos 14 anos, eu comecei a cheirar cocaína, fumar maconha e a beber. Quando vim morar em Belém, comecei a namorar a Jaciara, que hoje é minha esposa, e ela me apresentou Jesus. Agora sinto a necessidade de evangelizar e convidar os jovens a voltar à normalidade”, diz Diogo.
Até o último dia de folia, cerca de cem jovens passam a madrugada na Aldeia Amazônica, palco dos desfiles de carnaval, com esse objetivo. “Já realizamos essa ação há cinco anos. No ano passado, um rapaz desceu do carro alegórico, tirou a fantasia e se ajoelhou dizendo que queria aceitar Jesus como salvador. No próximo ano, vamos levar a palavra de Jesus ao interior do estado”, explicou o pastor Kleber Almeida.
O movimento da renovação carismática da Igreja Católica também se dedica à evangelização durante os quatro dias de carnaval. O mais tradicional é o “Cristo Alegria”, que está na décima edição. O ginásio da Escola Superior de Educação Física se transforma em lugar de oração com muita animação. “Este ano, aguardamos cerca de cinco mil pessoas que vão passar todos esses dias se divertindo com Cristo”, disse o diácono Emanoel Duarte.
As crianças também têm uma programação dedicada a elas: o “Cristo Alegria Mirim”, que evangeliza com brincadeira e descontração.
Para a estudante Paula Castro, os retiros espirituais como o “Cristo Alegria”, “Renovai-vos” e “Enchei-vos” já mudaram a vida de muitas pessoas. “Participo desses encontros há dois anos. Antes não deixava de ir para Vigia. Bebia, me divertia, mas sentia um vazio depois que acabava o carnaval que era preenchido com a ressaca.
Quando participei a primeira vez, a vida mudou. Eu estava triste porque meu namorado não ficou comigo, mas logo no segundo dia senti que Jesus ocupou todos os espaços vazios do meu coração e hoje não sinto falta de nada que eu vivi”. (Diário do Pará)
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