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Itupiranga: a fronteira da violência

A voz some, dando espaço ao choro saudoso e ainda desesperado, quando Raimunda de Moraes Oliveira, 59 anos, é questionada sobre a morte do filho Israel Oliveira. “Era terça-feira, 25 de novembro de 2008. Uma tarde difícil para toda nossa família. ‘Dona Ra

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A voz some, dando espaço ao choro saudoso e ainda desesperado, quando Raimunda de Moraes Oliveira, 59 anos, é questionada sobre a morte do filho Israel Oliveira. “Era terça-feira, 25 de novembro de 2008. Uma tarde difícil para toda nossa família. ‘Dona Raimunda, dona Raimunda, mataram o seu filho...”. O técnico agrícola, na época com 33 anos, acabara de ser assassinado na área do PA Oxi (Programa de Assentamento), a 18 quilômetros do centro de Itupiranga, sudeste paraense. O homicídio, até hoje sem condenados, engrossou as estatísticas de um período sangrento no município, localizado a 50 quilômetros de Marabá. Entre 2003 e 2008, foram 228 assassinatos. Números suficientes para Itupiranga liderar o ranking nacional das cidades com maior número de homicídios por habitante, de acordo com o “Mapa da Violência 2011”, divulgado pelo Ministério da Justiça no final de fevereiro.

Com uma população de pouco mais de 42 mil habitantes (dados de 2008), o município tem uma taxa de 160,6 homicídios em cada 100 mil habitantes. A maior parte deles acontece na zona rural, bem longe do centro da cidade. De grande dimensão territorial (7.880 km² - IBGE 2010), Itupiranga faz fronteira com três municípios: Marabá, Novo Repartimento e Nova Ipixuna. Deslocar-se de carro até o distrito de Quatro Bocas - uma das áreas mais violentas -, por exemplo, leva quase um dia, segundo o delegado Sérgio Máximo dos Santos, que responde há três meses pela Polícia Civil em Itupiranga.

Há 20 anos atuando na região, o delegado destaca a grande atração populacional como fator que contribui para um tipo de violência característico no sudeste paraense: os conflitos por terra. Para ele, o motivador de boa parte dos homicídios registrados nos últimos anos. “O sudeste paraense ainda é o ‘eldorado’. Muitas pessoas vêm para a região em busca de emprego, oportunidades e terra. E esse crescimento desordenado, sem planejamento ou controle, traz consequências graves, como a violência”, pontua o delegado.

Segundo Máximo, no entanto, o último ano foi de queda nos índices de homicídio. A informação da Polícia Civil é de que foram registrados, em 2010, treze homicídios e sete tentativas de homicídio em Itupiranga. Média de uma morte por mês. “Pelos nossos registros, a fase é de calmaria”. Leia mais no Diário do Pará

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