Um menino sorridente, falante e brincalhão. Foi assim que o pequeno M., 10 anos, foi apresentado à reportagem pela professora dele. Mas, bastou uma conversa de 15 minutos para descobrir que ele coleciona histórias e já presenciou cenas que nem gente grande gostaria de conhecer.
O menino mora na comunidade Riacho Doce, no bairro do Guamá, uma das áreas mais violentas de Belém. Para completar, estuda na Escola Edson Luiz, apontada recentemente por uma pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA) como a escola com maior índice de assaltos no entorno, na Avenida Barão de Igarapé-Miri.
O resultado da constante palavra violência no dia a dia de M. é nitidamente percebido em seu depoimento. “Quase todo dia eu vejo um assalto perto da minha casa. Os que assaltam são um pouco mais velhos que eu. Eles já até colocaram uma arma na minha mão e pediram pra eu ajudar num assalto, mas disse não”, contou.
O menino diz que já foi convidado várias vezes para entrar no mundo do crime. “Uma vez eu estava indo para a escola com o meu caderno na mão e um colega meu, de 12 anos, me pediu uma folha. Eu dei e perguntei o que ele ia fazer com ela. Sabe o que ele respondeu, tia? Que ia usar para fumar aquele negócio.”
Quando perguntado sobre qual a cena relacionada à violência que ficou mais marcante em sua cabeça, o menino abaixou a cabeça, demonstrou um tom de tristeza e detalhou: “Estávamos jogando bola em um campinho perto de casa. Uns caras chegaram lá e deram dois tiros no peito de um amigo nosso que tinha 15 anos. Ele era drogado e só fazia coisa errada”.
M. lembrou que nesse dia a partida de futebol teve que ser interrompida na mesma hora. “Ficou uma poça de sangue no meio do campo. Foi horrível, não consegui dormir.”
Mesmo tendo que viver com essa realidade, o pequeno não abre mão dos estudos e sonha em ser jornalista ou policial. “Queria ser policial para poder acabar com a violência, mas tenho vontade de ser jornalista para ficar tirando fotos de paisagens bonitas”. M. está cursando a 2a série do ensino fundamental e é um bom aluno. Leia mais no Diário do Pará.
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