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Blocos espantaram marasmo e citaram mulheres

Uma mulher de vanguarda, que criou os dois irmãos e pegou em armas para lutar pela independência do Brasil. Símbolo da luta feminina, Maria Quitéria dá nome ao bloco cujas alas têm nomes como Berta Lutz, pioneira na luta pelo direito ao voto das mulheres,

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Uma mulher de vanguarda, que criou os dois irmãos e pegou em armas para lutar pela independência do Brasil. Símbolo da luta feminina, Maria Quitéria dá nome ao bloco cujas alas têm nomes como Berta Lutz, pioneira na luta pelo direito ao voto das mulheres, Madalena Caramuru, a primeira mulher alfabetizada do Brasil, a líder quilombola Filipa de Aranha, Maria da Penha e algumas Eneidas, Chiquinhas e Julietas.

No final da tarde de ontem, mulheres de movimentos sociais, ou não, fizeram o trajeto da Aldeia Amazônica David Miguel até a praça Eneida de Moraes. Elas levaram namorados, familiares e amigos para participar da comemoração pelo Dia Internacional da Mulher - que coincidiu com a Terça-Feira Gorda de carnaval. “Resolvemos lançar o bloco porque estamos num ano especial, com a primeira mulher chegando ao cargo de presidente do País e todas aqui ganham uma faixa presidencial”, contou Lene Campelo, diretora da regional norte da Confederação das Mulheres do Brasil.

Raimunda Assunção Damasceno, 61 anos, estava com as amigas e um dos sete netos, pronta pra sair no Maria Quitéria: “vim me divertir, comemorar o que já alcançamos e lutar por mais conquistas”. Vestida de preservativo masculino, Socorro Silva distribuía alguns e aproveitou para fazer uma reinvidicação: “Sou ex-doméstica e faço parte do movimento desta que é uma das maiores categorias de trabalhadoras do país - só aqui no Estado são 209 mil, e muito mal remuneradas”.

Raymar do Carmo de Souza foi com a vizinha Maria de Belém e fez questão de desfilar travestido. “É uma forma de homenageá-las, elas são fundamentais na minha vida”.

De acordo com Maura Marques, presidente da Federação de Mulheres do Pará (Femepa), que organiza o bloco com o apoio da Prefeitura de Belém, desfilar no carnaval serve para mostrar a cara das mulheres. “Não queremos ser vistas como vítimas, queremos receber flores ainda em vida, estamos aqui para festejar e dizer que queremos saúde, educação, moradia, creches e, acima de tudo, respeito”, enfatizou.

JURUNAS

Quem espantou a calmaria das ruas de Belém foram os blocos do bairro do Jurunas. As travessas e as ruas foram ocupadas por diversos grupos carnavalescos. Vários deles chegaram a se cruzar, os sons se confundiram, mas a festa seguiu em frente. O “Cão sem rabo”, “Picotão do Rancho”, “Kuxixo do Coelho” e o “Bofe de Elite” foram alguns deles.

“Tudo começou entre amigos, vizinhos e familiares, há quatro anos. As pessoas viajam e para não ficar um clima triste nós iniciamos o bloco, ele foi crescendo e esse ano vendemos 800 camisas”, festejou Aldenora Martins, coordenadora do bloco “Kuxixo do Coelho”.

Mas não foi só de marchinha de carnaval que os brincantes se divertiram: um carro-som com o tecnobrega e a música baiana também puxou os foliões. “Aqui só tem família. É um bloco pequeno e o que queremos mesmo é diversão”, dizia Reinaldo Azevedo, coordenador do bloco “Bofe de Elite”.

HOMENAGEM

Até a danação de uma criança motivou a denominação do bloco “Cão sem rabo”. Ilma Borges, uma das coordenadoras, tem uma filha que hoje está com cinco anos e a garota sempre foi sapeca.

“A minha filha é muito danada e quando iniciamos com essa brincadeira ela tava no auge da danação... A gente precisava dar um nome pro bloco aí escolhemos esse em homenagem a ela”, sorria Ilma.

‘Pirarucu nas Cinzas’ anima essa quarta

E ainda tem folia em Mosqueiro e Icoaraci, com blocos saindo pelas ruas nesta Quarta-Feira de Cinzas. O bloco Rabo do Peru concentra a partir das 10 horas na travessa Soledade, com saída às 14 horas e término às 18 horas no sambódromo de Icoaraci, na Praça Matriz. “Completamos 16 anos em 2011 e aguardamos 100 mil pessoas. A PM terá 400 homens seguindo o trajeto”, contou Marcos Antonio Soares Morais, presidente do bloco.

Um pouco mais antigo, o bloco Pirarucu nas Cinzas, que surgiu há 25 anos como opção para que os barraqueiros de Mosqueiro pudessem curtir o final do carnaval, promete arrastar milhares de pessoas, tocando de carimbó a samba.

O Pirarucu concentra às 12 horas na pista de skate da praia do Chapéu Virado e segue até a Vila do distrito, com saída às 13 horas e chegada às 18 horas. (Diário do Pará)

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