O dia internacional da mulher, comemorado ontem, é marcado pelas lutas e conquistas femininas. Revoltadas com as condições do trabalho feminino, um grupo de mulheres operárias resolveu ocupar uma fábrica de tecidos em Nova Iorque e fazer uma grande greve no dia 8 de março de 1857. Em resposta à manifestação, as mulheres foram trancadas e queimadas vivas dentro da fábrica.
De lá pra cá, muita coisa mudou. As conquistas que as mulheres alcançaram e vêm alcançando na sociedade é uma prova disso. Ainda assim, para elas, muita coisa ainda precisa mudar. “Ainda há muito preconceito contra as mulheres. Principalmente contra as mulheres profissionais”. É no que acredita a arquiteta Luz Consuelo, de 42 anos.
“Eu me formei em arquitetura com vinte anos de idade e logo após abri um escritório. Tem muito homem que acha que pode chegar a uma mulher que está trabalhando e passar uma cantada”. Para ela, para que a sociedade avance para o nível desejado, é preciso que os homens reconheçam o papel que a mulher tem hoje. “As mulheres não precisam provar nada. Todos sabem que elas têm capacidade para trabalhar em qualquer ramo ou área”, afirma. “Mesmo com as jornadas triplas, todo o trabalho doméstico ainda fica com as mulheres. Isso também é uma forma de preconceito”.
Assim como para Luz, o trabalho é um aspecto determinante para autônoma Cristina Cardoso, 30 anos, quando o assunto trata dos direitos da mulher. “Falta expandir o mercado de trabalho para as mulheres pra que esse preconceito acabe. A falta de espaço no mercado não existe por falta de capacidade das mulheres, e sim, pela discriminação que elas sofrem”. A grande importância dada ao emprego remunerado por Cristina está no fato de que, para ela, essa é a melhor maneira de se conquistar liberdade. “A partir do momento que a mulher começa a trabalhar e a não depender do homem, ela se torna mais livre”.
Independência. Essa é a maior conquista da caixa de supermercado, Raissa Maciel. Ela começou a trabalhar aos 20 anos e, desde lá, teve muitas conquistas. “Temos [as mulheres] que ser independentes. Eu trabalho desde cedo e é isso que me faz ter liberdade hoje”. Para ela, o papel de conquistar mais espaço é da própria mulher. “Hoje em dia tem mulher que não se valoriza no mercado de trabalho. Temos que garantir os nossos direitos”.
É nisso que a professora universitária Vanja da Bezerra, 55 anos, acredita, mas para ela, a disputa pelo mercado não pode fazer com que a mulher perca a sua essência. “A gente tem que conquistar o nosso lugar na sociedade sem perder a nossa especificidade, a nossa condição feminina”. Mãe de cinco filhos e avó de dois netos, ela conseguiu conciliar o seu lado feminino com o profissional. “Foi assim que conquistei o meu espaço, sem deixar de ser mulher, mãe, avó”.
Para que a mulher conquiste mais espaço na sociedade, Vanja acredita que é preciso equilíbrio. “Não precisamos entrar em confronto com os homens. Não se pode perder de vista feminilidade”.
Analisando o passado, a técnica de enfermagem Patrícia Magalhães, 25 anos, vê avanços, mas acredita que muitas mulheres ainda vivem com o pensamento antigo. “Até hoje a avó do meu marido acredita que a mulher tem que aceitar muita coisa porque não existe homem fiel. Algumas mulheres, hoje, ainda aceitam essa visão”.
Olhando para a filha Geovana Magalhães, de apenas 11 meses, vê um futuro não muito diferente do que tem hoje. “Acredito que ela ainda vá encontrar muita dificuldade. Acho que a sociedade ainda vai estar do mesmo jeito. Ainda tem muito preconceito”, afirma. “A mulher tem que conquistar mais respeito”.
Para a gari Lindalva Santos, 52 anos, não há como definir uma conquista a ser alcançada. Ela concorda que houve muitos avanços, mas acha que as conquistas que ainda faltam ser alcançadas são maiores. “Precisamos melhorar em tudo. Ainda precisamos conquistar mais saúde e trabalho, tudo”, defende.
A dona de casa Maria Braga também acredita que muita coisa tem que melhorar, mas, para ela, a palavra chave é respeito. “Se houvesse respeito, a mulher estaria melhor”. Ela nunca precisou trabalhar, mas vê na ascensão da mulher no mercado de trabalho um grande avanço. “A mulher começou a trabalhar porque a renda familiar era muito baixa, mas isso não é reconhecido pelos homens. Precisamos conquistar muitas coisas ainda”. (Diário do Pará)
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