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Renais crônicos travam luta pela sobrevivência

Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia apontam que existem hoje, no país, 80 mil pacientes em diálise, sendo 1.522 apenas no Pará. O mais grave é que 300 pacientes ainda estão na lista de espera para iniciar o tratamento e podem morrer caso não consi

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Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia apontam que existem hoje, no país, 80 mil pacientes em diálise, sendo 1.522 apenas no Pará. O mais grave é que 300 pacientes ainda estão na lista de espera para iniciar o tratamento e podem morrer caso não consigam realizar o procedimento, como aconteceu com quatro pacientes em fevereiro no Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março. Dessa lista, 170 estão na Região Metropolitana de Belém. Hoje (10), Dia Mundial do Rim, centenas de doentes em todo o Estado não têm nada a comemorar. A luta pela vida é diária.

“Esses são apenas os dados que foram notificados e que chegaram ao conhecimento da imprensa. Mas os óbitos são maiores, de quem sequer consegue um atendimento”, destaca Belina Ribeiro, diretora da Associação dos Renais Crônicos do Pará. Existem hoje em todo o Estado apenas 272 máquinas de diálise em funcionamento nas redes pública e privada.

A situação está tão grave que existem atualmente 25 pacientes no Hospital das Clínicas em alta mas que não saem de lá por causa da falta de máquinas de hemodiálise. “Se saírem de lá, perderão a vez e hoje fazem o tratamento via internamento. Tenho uma paciente lá há nove meses à espera de diálise”, coloca. Nos dois pronto-socorros da cidade (Guamá e 14 de Março) existem 14 pacientes internados à espera de uma vaga nas máquinas. “A situação é caótica”, diz Belina.

A Sociedade Brasileira de Nefrologia mostra, ainda, que existem hoje em todo o Brasil 12 milhões de pessoas com disfunção renal, só que 2 milhões sequer sabem que possuem o problema. “Reunindo os idosos, obesos, diabéticos e hipertensos, podemos somar a esse número mais 40 milhões de pessoas que podem apresentar problemas renais por estarem no grupo de risco. Por essa razão, a prevenção é fundamental”, destaca Belina.

TRANSPLANTES

Números da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) mostram que em 2010 o Brasil realizou 6.402 transplantes de órgãos. Desse total, 4.630 foram de rim. Se comparado ao mesmo período de 2009, houve um crescimento de 8% nos números desse procedimento. No Pará, existem 380 transplantados renais e ainda existem outros 800 na lista de espera.

A dirigente da associação diz que os gestores municipais precisam investir mais na atenção básica, priorizando o atendimento preventivo aos pacientes diabéticos e hipertensos, evitando, assim, uma epidemia de doentes renais crônicos. “Pacientes chegam às unidades com o diabetes totalmente descompassado e outros com crises hipertensivas que poderiam ser tratadas, evitando o aparecimento da doença renal”, coloca.

A prevenção poderia evitar casos como o do aposentado Francisco André da Costa, de 84 anos, há 12 anos com doença renal. Por falta de atenção no sistema de saúde, jamais conseguiu fazer uma diálise quando podia. Hoje, a situação é bem mais complicada. “Estou com um rim podre e outro com apenas 10% da capacidade. Desisti... Hoje só urino com a ajuda de um remédio. O médico disse que, quando ele não fizer mais efeito, a situação vai se complicar”, lamenta.

Morando sozinho e com artrose grave, ele diz que não tem como fazer agora as sessões de diálise, já que não tem quem cuide dele ou o leve para as sessões. “Passei pelo Barros Barreto, Bettina Ferro, Hospital das Clínicas e Ophir Loyola. Nunca tinha vez para mim. Preferiam atender quem podia pagar. Hoje é tarde”, resigna-se.

Existe uma luz no fim do túnel

Mas nem tudo são más notícias: a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) assinou termo aditivo ao convênio já firmado com o Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, em Bragança, nordeste do Pará, para colocar em funcionamento as 10 máquinas de hemodiálise disponíveis na instituição. Os equipamentos têm capacidade para atender 60 pacientes, mas estavam parados há dois anos. “Poderemos enfim transferir daqui as pacientes para Bragança, que passará a atender a todos os pacientes daquela região”, espera Belina.

Para colocar o novo serviço em funcionamento, o Hospital de Bragança receberá da Sespa, inicialmente, R$ 750 mil, que serão repassados em três parcelas. A iniciativa faz parte do Plano Estadual de Nefrologia e visa expandir os serviços de hemodiálise no Estado. A previsão é que o novo serviço comece a funcionar em 30 dias, mas a Assessoria de Imprensa da Sespa acredita que até o final deste mês o serviço já esteja disponível. Também estão previstos novos serviços e expansão nos municípios de Altamira, Ananindeua, Breves, Redenção, Santarém, Tucuruí e Ulianópolis.

O prédio do Hospital da Polícia Militar, no bairro Umarizal, também será utilizado pelo governo do Estado para atendimento de renais crônicos. Desde o ano passado o setor de internação daquele hospital estava desativado, realizando apenas atendimentos de urgência e emergência.

Segundo o secretário de Estado de Saúde, Hélio Franco, cerca de 20 a 30 máquinas para hemodiálise deverão se instaladas no hospital, beneficiando 190 pacientes que precisam fazer tratamento permanente. Renais crônicos necessitam de uma média de três sessões semanais.

Em comemoração ao Dia Mundial do Rim, a Associação dos Renais Crônicos promove no domingo na praça Batista Campos um evento das 9h às 12h com exames e com palestras sobre prevenção de doenças renais crônicas. O evento terá apoio de centros de diálise de Belém e Ananindeua. (Diário do Pará)

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