Em plena quarta-feira de cinzas, o clima de carnaval ainda estava presente no distrito de Icoaraci. Ao som das tradicionais marchinhas de carnaval, axé e tecnobrega, o bloco Rabo do Peru, que completou 16 anos, arrastou cerca de 40 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar. Cerca de cem policiais reforçaram a segurança no trajeto do bloco.
Atrás do peru, tinha de tudo: nega maluca, bailarina, King kong, Minnie, Homem-Aranha, homens vestidos de mulheres. Para a autônoma Rosileia Castro, que há três anos acompanha o Peru, o carnaval só acaba depois da passagem do bloco. “Trabalho todos os dias do carnaval, então aproveito pra curtir na quarta”. Quem também resolveu esticar o carnaval foi a ‘nega maluca’ que se identificou como Shaira Shaiene. “O carnaval, para mim, está longe de acabar. Enquanto não sair o resultado das escolas de Belém, eu tô curtindo.”
Segundo o presidente do bloco, Marcos Antônio Moraes, o diferencial do Peru está justamente na tradição das fantasias. “O Peru resgata o verdadeiro carnaval de rua. É festa para toda a família.”
Enquanto os brincantes curtiam a festa, o autônomo Vicente Cordeiro aproveitava para faturar vendendo tiaras de anjinho e diabinho. “Está dando para ganhar um bom dinheiro”, dizia, sorridente.
Uma das ‘freguesas’, a autônoma Milene Nascimento levou a sobrinha de seis anos para conhecer o carnaval de Icoaraci. “O carnaval aqui é tudo de bom. É a primeira vez que ela vem e está gostando muito”.
O gari Reginaldo da Silva também vestiu a fantasia e, com máscara e uma cabeça de boneca na mão, levou o personagem de filme de terror Jason à brincadeira. “Vim de Vigia para curtir o bloco. O carnaval, para mim, só termina amanhã.”
Já o casal João Rodrigues e Dalva Issoda viu tudo de camarote: o Rabo do Peru passa em frente à casa deles. “Dá para se divertir daqui. A gente vê tudo”, dizia João. “A família toda está aqui curtindo o carnaval”, animava-se Dalva.
Para garantir que a alegria da festa durasse até o encerramento, previsto para as 18h, o Rabo do Peru não deixou faltar música. “São três aparelhagens, um minitrio e o peru. É muita gente”, garantiu Marcos Antônio.
CHULÉ DO PATO
“Já vem o Chulé de Pato pra alegar o meu carnaval”. Com esse grito de guerra, os foliões da quarta-feira de cinzas curtiram o carnaval no bairro do Guamá atrás do bloco Chulé de Pato. Atrás de um trio elétrico tocando tradicionais marchinhas de carnaval, cerca de 1.500 pessoas fizeram a festa.
A presença das crianças era marcante. No caminhão que levava o maior símbolo do bloco, o pato, um grupo de crianças fantasiadas curtia o carnaval. A dona de casa Darialva dos Santos conta que a neta Samira, de apenas sete anos, já está acostumada com a folia. “Desde que era bebê, ela vem pra cá. É importante manter essa tradição nas crianças”.
Tradição é o que mantém o motorista Mário Furtado, que participou de todos os desfiles nos dez anos de existência do Chulé de Pato. Este ano, apareceu de ‘espartana’. “É um bloco pra toda a família, onde a gente pode se divertir de maneira saudável.”
MOSQUEIRO
Outra presença tradicional na quarta-feira de cinzas não decepcionou ontem. O Pirarucu nas Cinzas comemorou suas Bodas de Prata na ilha de Mosqueiro, dando opção a quem trabalhou durante os quatro dias de folia de também curtir o carnaval. “Os pioneiros foram os garçons e cozinheiras do restaurante do seu Carlos Ribeiro, que passaram o carnaval servindo os brincantes. A ilha estava ficando vazia e eles decidiram sair pelas ruas fazendo barulho com panelas e pratos”, relembrou Antônio Carlos Ferreira, o “Cazeca”, coordenador do bloco. O novo, explica Cazeca, remete a com outro tradicional bloco da quarta-feira, o Bacalhau do Batata, de Recife. “Se lá tem o bacalhau, aqui temos o pirarucu. Nosso peixe é tão bom quanto o outro.”
O Pirarucu saiu por volta das 15h30, do começo da praia do Chapéu Virado, seguido por trabalhadores, estudantes e famílias inteiras. Entrou pela avenida 16 de Novembro e terminou na Vila. “Eu gosto do Pirarucu porque, mesmo tendo muita gente, ele oferece tranquilidade e dá para curtir até com os netos”, disse a dona de casa Suely da Conceição Rodrigues, de 65 anos. (Diário do Pará)
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