Durante o feriado prolongado, muitas mulheres tiveram filhos na Santa Casa de Misericórdia, deixando os leitos repletos de bebês, a maioria prematuros, o que totalizou 93 partos e 427 atendimentos no período de 4 a 9 de março. Foi lá onde Mayara Gonzaga Barbosa, 22 anos, realizou o sonho de ser mãe. Ela perdeu o filho há cerca de um ano, por falta de atendimento adequado, já que a gravidez era de risco e o parto demorou a ser realizado.
Para ela e o marido, Deus foi generoso e deu, na segunda-feira passada, dois bebês para compensar a perda: Felipe, que nasceu com 2.400kg e o pequeno Renato, com 1.400kg, gêmeos idênticos por terem vindo do mesmo óvulo.
A mãe lembra que os momentos que antecederam o parto foram tensos. “Eu passei a sentir muitas dores na madrugada de domingo pra segunda, desmaiei e sangrei. O Renato já estava virado e encaixado e queria sair. Mas tivemos que rodar por dois hospitais até que me aceitaram aqui na Santa Casa e eles finalmente nasceram de cesariana às 9h30. Espero que o Felipe seja liberado em 15 dias, para podermos ir pra casa”.
Claudia Cardoso Pinheiro, 43 anos, queria curtir um pouco o carnaval, mas preferiu esperar na tranquilidade de casa, ao lado do companheiro, a chegada de Victor Roberto. E ele veio na quarta-feira de cinzas, com muita saúde, pesando 3.290kg e medindo 52 cm. “É o meu segundo filho. A irmã dele, Vitória, tem 10 anos e está radiante. Ele não foi planejado, mas é muito bem vindo”.
MÉDICOS
“Nesse período o número de partos sempre é alto, mas confesso que achei mais calmo o plantão deste ano do que o de 2010. Fizemos 43 cesárias, 50 partos normais e 30 abortos, contando com 127 profissionais médicos, sendo 10 neonatologistas, 10 obstetras e 15 enfermeiros”, informou Maria Helena Reis, coordenadora da unidade neonatal da Santa Casa.
Ela reforçou que a equipe precisou se desdobrar para dar conta de partos consecutivos, sendo que apenas na quarta-feira de cinzas nasceram 12 crianças num intervalo de dez horas.
Para a médica obstetra Flora Balbi, que fez alguns partos no sábado passado, fator importante para que o trabalho da equipe flua é o planejamento feito uma semana antes do feriado. “Nos programamos e planejamos equipe e material para os atendimentos. Cerca de 80% dos atendimentos que fazemos aqui são de gravidez de alto risco”.
Perguntada sobre qual a sensação de fazer crianças nascerem, a médica explicou que sempre se emociona. “É muito bom ser a primeira pessoa que pega num outro ser que acaba de chegar a esse mundo, eu fico tocada”. (Diário do Pará)
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