O balanço dos atendimentos no período do Carnaval, no Hospital Metropolitano de Belém, registrou um aumento de 80% no número de ocorrências em relação ao ano passado - casos de média e alta complexidade médica. O maior aumento se deu em casos de acidentes envolvendo motociclistas, que passaram de 25, em 2010, para 59 este ano, mais que o dobro. Os demais acidentes de trânsito passaram de 40 para 60, ou seja, uma variação de 50%.
De acordo com o médico José Guataçara, coordenador do Centro Cirúgico do hospital, o fator preponderante é o alcoolismo. "Mais da metade dos casos envolvem motoristas embriagados. Eu chego a ver motociclista falando ao celular, ou seja, é o cúmulo da imprudência, que, associado ao alcoolismo, provoca uma bomba de efeito devastador", disse ele.
Mais de 56% da clientela do hospital é formada por pacientes de fora da Região Metropolitana de Belém. Isto, de certa forma, também sobrecarrega os registros. Guataçara diz que com a construção e aparelhamento de um hospital de média e alta complexidade em Castanhal, como é previsto pelo Governo do Estado, isso deve mudar. "Um hospital ali filtraria as demandas de toda a região bragantina, deixando para cá os casos que vêm da Alça Viária e RMB", explicou.
O médico informou que o número de registros em feriados prolongados e festivos, como o Carnaval, vem crescendo a cada ano, e que as campanhas de trânsito pouco surtem efeito nos números. Ele acredita que as estratégias devem ser revistas. "As campanhas sempre mostram carros e motos amassados. Isso não sensibiliza as pessoas porque aquilo é um bem material que ele recupera, que o seguro paga. O que não é possível recuperar é a vida humana, a liberdade de quem fica paraplégico ou mutilado. Isso é que deve ser mostrado nas campanhas", ressaltou.
Além dos acidentes de trânsito, que juntos somam 28,5% dos casos, o Carnaval registrou 30 casos de agressão física e 87 quedas, do total de 411 ocorrências em 2011. O total de ocorrências no ano passado foi de 228, segundo os registros do hospital. Os ferimentos causados por arma branca subiram de 37 para 46 ocorrências. Já os provocados por arma de fogo subiram de 40 para 43.
(Secom)
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