Na madrugada desta sexta-feira, 11, faleceu Osvaldo Rodrigues da Cunha, pesquisador na tradição dos antigos naturalistas, que representa toda uma geração de pioneirismo na pesquisa científica na Amazônia. Para o Museu Goeldi, no entanto, a homenagem a Osvaldo Cunha, pesquisador aposentado da instituição, se reveste de especial valor.
Cunha “foi responsável pela recuperação das coleções geológicas e paleontológicas do Museu e pioneiro nas pesquisas detalhadas sobre o conteúdo malacológico da Formação Pirabas” disse Maria Inês Ramos Feijó, pesquisadora da Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia (CCTE) do Museu Goeldi, durante um discurso em homenagem a Cunha no XXI Congresso Brasileiro de Paleontologia, ocorrido em Belém em 2009.
O trabalho foi desenvolvido em parceria com o “amigo e paleontólogo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Prof. Cândido Simões Ferreira”, completou Maria Inês na ocasião em que a organização do Congresso ofereceu uma placa a Cunha por sua contribuição à Paleontologia Brasileira. Na impossibilidade de se fazer presente, Cunha fez da pesquisadora Ima Vieira sua representante para receber a homenagem.
Para o Diretor do Museu Goeldi Nilson Gabas, “o Museu Goeldi perde um pioneiro na pesquisa, um profundo conhecedor das ciências naturais e um apaixonado pelo nosso museu. A comunidade científica lamenta essa lacuna que ficará sem a sua rica e competente contribuição à pesquisa e à vida”.
Algumas honrarias
Em 1978, Osvaldo Cunha recebeu o diploma de Honra ao Mérito, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Já em 1986, foi-lhe concedido o diploma e medalha de Mérito em Zoologia, em reconhecimento por seus trabalhos na área de Herpetologia Amazônica, honraria concedida pela Sociedade Brasileira de Zoologia. Em outubro do mesmo ano, recebeu o diploma de Pesquisador Emérito do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Em julho de 1991, o Boletim do Museu Paraense - Zoologia trouxe um artigo biográfico sobre Cunha, assinado por Francisco Paiva Nascimento. Reafirmando o prestígio e o carinho que os pesquisadores da instituição têm pelo pesquisador, Nascimento diz: “Ao concluir estes dados biográficos sobre o pesquisador Osvaldo Cunha, pessoa com quem iniciei na Herpetologia no Museu Goeldi [...] desejo externar meus sinceros agradecimentos pelos ensinamentos obtidos no decorrer destes anos de pesquisas [...]”.
Além de sua dedicação à ciência, Osvaldo Cunha era profundo conhecedor da história do Museu Goeldi se responsabilizando por textos em publicações que contam a história institucional, dentre os quais o volume “Talento e Atitude”, tributo à instituição que ajudou a contribuir, trabalho que promove o conhecimento da trajetória do Museu Paraense Emílio Goeldi desde os seus primórdios com Domingo Soares Ferreira Penna. De cultura refinada, o pesquisador tinha especial gosto pela música clássica o que o levou à condição de colecionador de gravações desde peças da Idade Média até composições atuais.
(Agência Goeldi)
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