As promessas de melhoria na área da saúde, feitas ontem pelo governador Simão Jatene, deram esperança àqueles que lutam por atendimento na rede pública. Em visita ao Hospital de Clínicas Gaspar Viana, ele inaugurou a Unidade Coroniana, para os pacientes com síndromes cardíacas. Este é o único espaço do gênero ligado ao Serviço Único de Saúde em todo o Estado.
Na visita, também foi anunciada a entrega de 100 novas máquinas de hemodiálises no prazo máximo de 100 dias. “Estabelecemos esse desafio como prioridade, para acabarmos com a espera de quase 300 pessoas que estão sem realizar o tratamento”, disse.
Além de Belém, os municípios de Altamira, Redenção, Santarém, Bragança e Ulianópolis também serão beneficiados com os aparelhos que, somados aos custos de instalação, manutenção e manuseio, sairão por R$18 milhões. A verba foi remanejada do orçamento estadual, de acordo com votação na Assembleia Legislativa. “É um custo muito alto porque até o sistema de água para o tratamento é muito complexo. Depende ainda de profissionais capacitados e ambiente adequado”.
Presente na visita, o secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, afirmou que o governo também está com projetos para dinamizar o processo de transplantes de rim e pediu mais cuidado com a prevenção. “90% dos enfermos se tornaram doentes crônicos em decorrência da hipertensão e diabetes. Os outros 10% se devem a fatores genéticos e acidentes. Por isso, temos que combater não só a gravidade da doença, mas o seu desenvolvimento”.
Para Belina Ribeiro, diretora da Associação dos Renais Crônicos do Pará, a promessa é uma vitória. “Estou satisfeita com a atenção e, principalmente, com o empenho em solucionar o caso. Agora continuaremos a lutar pela ampliação e descentralização dos transplantes, sem esquecer de cobrar para que o prazo anunciado seja cumprido”.
VISITA
No Gaspar Viana, o governador disse estar satisfeito com o hospital. “Vi um local limpo, bem estruturado, com pessoas que fazem bem o seu trabalho”. Porém, enquanto o visitante e sua comitiva percorriam os corredores do local, dezenas de pacientes aguardavam por atendimento na sala de espera. “Cheguei às 6h da manhã para ficar em uma fila imensa e tentar ser atendida ainda hoje”, contou a doméstica Eliete Souza. “Estou em jejum desde ontem, porque preciso fazer um ultrassom e não tenho previsão para ser chamada”.
Benedita de Freitas, 67 anos, mora em Tomé-Açu, nordeste paraense, e todos os meses vai ao hospital fazer exames para acompanhar o pós-operatório da cirurgia cardíaca realizada em dezembro de 2010. Sem reclamações à estrutura hospitalar, ela se disse incomodada com a falta de educação de alguns médicos. “No dia 3, vim pra cá porque tinha consulta e, depois de esperar quase 5 horas sentada, a médica disse que não poderia me atender e bateu a porta na minha cara”. A negativa obrigou a idosa a tentar novamente a consulta ontem. (Diário do Pará)
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