“Esse é o verdadeiro milagre da multiplicação”, disse o morador Humberto Nunes sobre o aparecimento de muitos peixes no canal da Visconde de Inhaúma, no bairro da Pedreira, na manhã de ontem. O fato surpreendeu a quem até mudou o cardápio do almoço. “Eu peguei um monte e até distribuí para os meus vizinhos. Hoje (ontem) trocamos o frango por tilápia no tucupi”, disse Jerônimo Lima.
Mas não só peixes vivos foram vistos no canal, no perímetro da travessa Lomas Valentina até a travessa 3 de Maio. A quantidade de peixes mortos assustou os moradores. Para eles, os peixes começaram a aparecer depois que uma empresa de engenharia teria despejado produto químico no canal. “A Terra Plena está com uma obra na Angustura com o canal e viram quando ela jogou o resto de um produto e resto de cimento. Depois disso, começaram a aparecer os peixes vivos e mais tarde os mortos, assim como tudo o que tinha vida, como os sapos e até as cobras”, disse o comerciante Manoel Moreira.
COLORAÇÃO
No começo da tarde, depois que o canal diminuiu de volume, os moradores notaram que a coloração da água ficou diferente. “A gente sabe que essa cor é feia, de água poluída, mas depois que secou está um pouco cinza e dá para perceber que tem cimento no fundo e nas margens do canal”, observou Manoel.
A técnica da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) Ivanelma Gomes foi até o local e disse que só o laudo do Instituto Médico Legal (IML) pode dizer o que realmente aconteceu. “O laudo deve sair na próxima semana. Nós recolhemos amostras da água e dos animais, mas por enquanto não dá para dizer que tem algum vestígio de derramamento de produto químico. Mesmo assim, qualquer peixe que apareça aqui ou em qualquer outro canal é impróprio para o consumo”.
Ignorando qualquer tipo de risco à saúde, muitas pessoas aproveitaram o aparecimento dos peixes para vender o produto em feiras próximas. “Vimos alguns feirantes lá do Barreiro virem buscar os peixes aqui. Eu até disse para um deles não fazer isso, mas ele levou mesmo assim”, disse Manoel.
Segundo a assessoria da Polícia Civil, o caso será apurado pela Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema). A delegada Teresa Machado levanta duas hipóteses. “As fortes chuvas podem ter feito com que os peixes saíssem de algum criadouro e acabassem no canal. Ou, ainda, alguém pode ter jogado os peixes lá”. (Diário do Pará)
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