As chuvas em comunidades “fatiadas” entre duas prefeituras têm provocado o isolamento de milhares de moradores no sudeste paraense. Em pleno período letivo, as salas de aula e os corredores estão vazios na Escola Municipal Guilherme Mulato Neves, da agrovila Pitinga, território de Rondon do Pará. A unidade escolar, no entanto, é mantida pela Prefeitura de Jacundá. O posto de saúde municipal também está de portas fechadas. A administração cabe a Rondon.
A 80 quilômetros da sede municipal, cujo acesso é feito por uma estrada de chão batido mantida com carretas de piçarra, a agrovila Pitinga está praticamente isolada. Não há sinal de operadoras de celular no local e os aterros se transformam em grandes atoleiros no período chuvoso, impedindo até os caminhões de trafegarem. O DIÁRIO só conseguiu chegar aos primeiros quilômetros da agrovila, já que a estrada vicinal do Pitinga, que dá acesso a outras duas agrovilas (Mantenha e Progresso) está sem condições de tráfego.
Valquíria dos Santos, 26 anos, mora com o marido e os três filhos na vila Pitinga. Todos em idade escolar (11, 10 e 7 anos), estão sem estudar desde o início do ano. A dona de casa diz que não tem o que fazer já que “todo inverno é assim”. “Durante o verão as caminhonetes da prefeitura de Jacundá apanham as crianças em toda a vila e trazem para a escola. Só que no inverno, os carros correm o risco de atolar. Aí, as aulas ficam suspensas”.
Mais próximos da sede de Jacundá, os moradores de Pitinga costumam acessar os serviços públicos do município, cuja gestão reclama a falta de orçamento para arcar com os custos. Recentemente, segundo o prefeito de Jacundá, Dino Altoé, o município arcou com os gastos para reformar pontes e colocar mais aterro na estrada de acesso à vila. É uma situação que se arrasta há anos, com a emancipação e delimitação dos limites territoriais dos dois municípios, e que tem refletido na precariedade especialmente dos serviços de saúde e educação. “Em todas as gestões municipais de Rondon não houve a real intenção de resolver a situação. Nunca houve uma colaboração efetiva”, disse Altoé, destacando, no entanto, que a administração da prefeita Cristina Malcher tem mostrado um pouco mais de interesse.
A Prefeitura de Rondon do Pará doou três mil litros de combustível para que as máquinas da Prefeitura de Jacundá pudessem fazer o serviço de aterramento nas vicinais. Mas, na avaliação de Altoé, ainda é pouco. “Se é território de Rondon, a prefeitura deveria assumir ou trabalhar mais em parceria”.
Ao DIÁRIO, Cristina Malcher disse que assumiu em setembro a Prefeitura de Rondon com as suas vicinais em “estado precário”. Ela disse também que é intenção do município retomar o atendimento na área educacional em todo o território rondonense, inclusive a vila Pitinga.
Malcher rebateu a informação de que o posto de saúde em Pitinga não estaria funcionando. Segundo ela, uma enfermeira e uma médica vão à comunidade uma vez por mês para fazer o atendimento às famílias da localidade. A prefeita também informou que nos dias 24 e 26 de março o ônibus da saúde itinerante, com atendimento médico e odontológico, vai passar pelas agrovilas de Rondon. “É nossa intenção, inclusive, que o ônibus fique em caráter permanente circulando na zona rural”.
VICINAIS
Do centro de Jacundá até a agrovila Pitanga, na atual condição da estrada, numa caminhonete, o trajeto é feito em duas horas, com risco constante de atoleiro. Pela vicinal, passa boa parte da economia local de Rondon do Pará, que acaba sendo comercializada em Jacundá, já que a mesma estrada, no sentindo Rondon, está intrafegável. O caminhoneiro Ricardo Pereira de Sousa ficou na estrada com um carregamento de madeira.
A Prefeitura de Rondon disse que o município possui mais de três mil quilômetros em vicinais na zona rural e que o orçamento do municipal de 2011 inclui investimento na malha viária. A prefeita Cristina Malcher diz que será necessária, no entanto, a ajuda do Governo do Estado para completar a obra. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar