Com cerca de um milhão de habitantes, a milenar Sendai é a capital da província de Miyagi e uma das cidades mais atingidas pelo tremor. É nela que vive Orion Klautau Neto, historiador paraense de 31 anos que está desaparecido.
“Ele postou mensagens no facebook entre as 4h e as 6h da manhã (horário do Japão) dizendo que havia acabado de acontecer um terremoto gigantesco e que ele estava bem, atrás de notícias da Megumi, a esposa dele. Ele falou com ela, que disse estar presa na escola onde leciona e na última mensagem ele parecia muito preocupado”, contou o avô Orion Klautau.
Sem procurar demonstrar nervosismo, o engenheiro e bancário falou que estava chateado por não conseguir falar com o neto. “É frustrante, mas a embaixada do Brasil no Japão está em contato com a Eneida, mãe dele, que me disse que eu serei a primeira pessoa para quem ele vai dar notícias”.
Segundo ele, Orion está há cinco anos vivendo no país do sol nascente, desenvolvendo tese de pós-doutorado sobre o budismo no Japão moderno. “Ele foi para lá porque o professor que orientou o doutorado falou que não tinha mais o que ele estudar sobre o ocidente, que ele precisava ir ao oriente pesquisar a história das religiões”, lembrou com orgulho o avô.
“Somos muito ligados, próximos. Ele é apaixonado por história e eu, por engenharia. Há três dias, Orion recebeu um prêmio em Tóquio, fiquei orgulhoso, mas confesso que preferia que ele não morasse lá, apesar de ele dizer que os japoneses estão preparados para tudo”, contou. A tia de Orion, Lilian, argumenta que o sobrinho não tem área para atuar em Belém, mas o avô acrescenta: “Só gostaria que ele morasse aqui no Brasil, sem terremotos e tsunamis. Só quero receber uma ligação dele”.
Mostrando o mapa do Japão e apontando onde fica a península de Miyagi - a mais devastada -, quatro nisseis (filhos de japoneses) e japoneses que vivem em Belém conversaram com o DIÁRIO sobre o gigantesco terremoto que atingiu o país. Mesmo tendo nascido em Miyasaki, região ao sul, que não foi atingida, Gota Tsutsumi se preocupa com a família de um amigo que vive em Miyagi. “Tento contato com a família de Yasugi Okada, mas não consigo, todos os sistemas de comunicação da província estão inoperantes”. Ele informa ainda que a família dele vive em Tóquio e eles ficaram assustados com a violência dos tremores.
De acordo com Gota, que é secretário geral da Associação Nipo Brasileira, em Miyagi vivem 18 mil brasileiros, mas em todo o Japão são mais de 250 mil. “Gunma é uma das províncias onde moram mais brasileiros. Meu sobrinho me mandou uma mensagem dizendo que o primo que vive lá está desaparecido também”, disse Midori Makino, natural da cidade de Gifu, província de Nagoya. Ela lembra que, quando morava em Fukuoka, recebia alarmes de ciclone de forma constante. “Os alertas sempre são dados, eles são precavidos”.
Ao lado dela, a nissei Amélia Narita informou que no Japão existe até um kit para terremotos. “Meus pais vivem em Tóquio e mantêm os kits deles perto da saída da casa. Os kits têm cantil, comida em conserva, fósforo, rádio AM, lanterna e mais itens úteis. Já que o risco é inevitável e a morte é certa por lá, eles têm que evitar o caos”. Kobe Sakari, cuja família é de Fukushima, acrescentou que todas as famílias que vivem em áreas de risco no Japão recebem treinamento anual contra desastres e para lidar com situações como esta. (Diário do Pará)
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