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Paraense relata tensão vivida após terremoto

Filho de imigrantes japoneses que moraram durante 30 anos no Pará, Satoshi Ikikame nasceu e foi criado em Belém, mais especificamente no bairro de Nazaré, e hoje mora na cidade de Shizuoka, no Japão, país arrasado pelo violento terremoto ocorrido na ultim

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Filho de imigrantes japoneses que moraram durante 30 anos no Pará, Satoshi Ikikame nasceu e foi criado em Belém, mais especificamente no bairro de Nazaré, e hoje mora na cidade de Shizuoka, no Japão, país arrasado pelo violento terremoto ocorrido na ultima sexta-feira (11), que desencadeou catástrofes como tsunami e acidente nuclear.

“Foram as piores 13 horas de minha vida! Estamos preparados para o pior, pois se antes o problema era a crise do desemprego e a queda do dólar, agora é a crise do terremoto”, desabafou Satoshi, que está no Japão há 24 anos e trabalha na cidade de Fuji como motorista particular de um empresário.

Em depoimento ao DOL, o paraense contou que a situação está controlada no momento, mas muitos brasileiros se depararam com a barreira do idioma na hora do caos provocado pelo grande tremor, que deixou cidades sem energia elétrica e telefone. “Muitos brasileiros não entendem o idioma japonês e na hora do desastre muita gente se apavorou”, disse.

No bairro onde mora, vivem 120 brasileiros, segundo dados da prefeitura local. Na hora do desastre, brasileiros que possuem carro puderam fugir para outros estados, mas recém chegados enfrentaram problemas. “Quem chegou agora, como o meu vizinho, que não sabe falar japonês e está com pouco dinheiro... ele e sua esposa só não passaram frio e fome porque eu e minha família ajudamos. Aqui agora é inverno e a noite congela tudo”, relatou.

Satoshi explicou que a Defesa Civil japonesa tentou ajudar, mas o problema estava na comunicação, pois era difícil encontrar um tradutor espontâneo na hora.

Quando o terremoto mais forte aconteceu, a preocupação de Satoshi, no entanto, estava em manter contato com sua irmã, que mora em Miyagi, uma das cidades mais atingidas, que fica no norte do Japão. A tensão foi grande, já que as linhas telefônicas não funcionaram por mais de 5 horas.

“Meus pais vivem comigo e eles estavam bastante preocupados. Quando conseguimos manter contato, meus pais choraram de felicidades, pois o radio local dizia que a cidade onde ela vive tinha sido atingida por um tsunami de 10 metros”. Ele contou ainda que o apartamento onde a irmã mora corre o risco de desabar, por isso ela foi encaminhada para um abrigo.

A região norte do país foi uma das mais afetadas e possui grande concentração de brasileiros, mas não há notícia de que haja vítimas desta nacionalidade.

A televisão japonesa informa que a qualquer momento pode ocorrer outro terremoto intenso, fato que amedronta Satoshi e desperta nele saudades das terras brasileiras. “Eu nunca vi isso durante meus 24 anos vivendo aqui. Estou com medo, pois meus pais são idosos e insistem em ficar no Japão. Por mim, eu ia embora o mais rápido possível, mas meus pais não querem. Eles têm medo da violência que esta a nossa querida Belém do Pará”.

(DOL)

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