Oengenheiro civil Raimundo Lobato da Silva, de 51 anos, responsável pelo cálculo estrutural do edifício Real Class, que desabou no dia 29 de janeiro passado, matando três pessoas, se defende da acusação de erro de cálculo, contida em um laudo feito por sete engenheiros da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Pará. Segundo Lobato, o prédio caiu por “erro na fundação”, após a contaminação de algumas estacas de sustentação com lama.
O laudo divulgado na sexta-feira, para ele, não condiz com a realidade do que aconteceu no prédio. “Há muitas coisas que precisam ser investigadas e que não aparecem nesse documento”, desafia. Por conta disso, prefere aguardar o laudo oficial, do Centro de Perícias Renato Chaves, para comentar o resultado.
Lobato afirma que em sua vida profissional, com mais de 20 anos no exercício da engenharia, nunca teve qualquer problema na construção de edifícios. Foram mais de 50 prédios construídos somente em Belém, além de obras no Amazonas, Maranhão, Amapá e Santarém. “Essas teorias que estão falando por aí, de que o prédio do Real Class estava sendo feito andar por andar, será dita por eles pelo resto da vida”, desabafa em entrevista exclusiva concedida ao DIÁRIO.
A norma técnica de 2003 diz que não se pode mais calcular prédio. O engenheiro rebate, argumentando que seria preciso perguntar sobre os prédios feitos por esse sistema antes da edição da norma. E informa que vários edifícios por ele construídos saíram de sua máquina de calcular. Prédio de 26 pavimentos, fino, calculado laje por laje, viga por viga e pilar por pilar, até o final da obra. O resultado, salienta, é que todos continuam de pé sem rachaduras ou qualquer outro problema.
As fundações, antes de 2003 eram construídas com bate-estacas e feitas a prova de carga. Lobato dá um exemplo de cálculo estrutural feito por ele em um prédio de quase 30 andares da Real Engenharia, o edifício One, na avenida Governador José Malcher, no qual utilizou a mesma metodologia técnica do Real Class. Nunca soube de rachaduras ou reclamações de moradores.
CONTAMINAÇÃO
Desde o começo da obra no Real Class, narra Lobato, a construção foi problemática. O equipamento de fundação vivia apresentando problemas. Até que algumas estacas foram contaminadas por lama ao se misturar com o concreto. Ele foi chamado para resolver o problema, houve reunião com o órgão técnico e encontrada a solução.
“ Tivemos que fazer o desbastamento das estacas e a retirada do concreto podre. A contaminação supostamente era só na parte de cima, até encontrar a resistência do material, que variava de dois metros e meio a três metros de profundidade. Era preciso fazer um concreto novo, mantendo-se a ferragem da estaca. Ou seja, a estaca seria recomposta, o que de fato ocorreu”.
O que, então, provocou a queda do edifício? Lobato responde, afirmando que o Centro de Perícias Renato Chaves é o único órgão competente para dizer o que ocorreu. Mas revela que ao ser percebida a contaminação de algumas estacas foi tomada a decisão, juntamente com o proprietário da empresa dona do edifício, de fazer uma laje, um radier, para proporcionar maior rigidez no prédio.
O edifício, porém, não suportou o peso. Lobato defende que só os peritos oficiais poderão determinar a causa do desabamento. E pede que seja feita perícia nas estacas, o que até agora não ocorreu. “Ora, se houve a contaminação das estacas e elas não foram substituídas, o problema pode ter se agravado. Se das 71 estacas do prédio sete foram contaminadas, quem pode garantir que outras não tiveram o mesmo problema?”. Essa é a dúvida lançada pelo engenheiro que precisaria ser respondida pela perícia técnica. Ele diz que não houve perícia em todas as estacas. (Diário do Pará)
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