Acompanhando parte do curso do rio Guamá, a avenida Bernardo Sayão, em Belém, poderia ser um espaço voltado ao turismo, comércio e lazer. A estrutura encontrada por quem trafega e mora na via, entretanto, esconde qualquer beleza natural e exibe um cenário devastador, marcado por lixo e desordem. É um percurso de 5 quilômetros capaz de surpreender até mesmo quem já está habituado à desordem da capital paraense.
Logo nos primeiros metros da avenida, no bairro do Guamá, encontramos focos de sujeira e acúmulo de entulhos. Em frente às casas, erguidas sob vigas de madeira, o lixo doméstico se mistura com dejetos de esgoto e canais entupidos. É comum ver pessoas tapando os narizes com o cheiro forte.
“Isso já está assim há muitos anos. É tanto bicho que aparece por causa dessa água verde que tenho medo de adoecer de verdade”, comenta a doméstica Roberta Pinheiro. Entre as enfermidades mais temidas está a leptospirose e a dengue. “É difícil até de combater os focos dos mosquitos porque é tanta água parada que ninguém sabe por onde começar. Os meus filhos não saem de casa sozinhos e as brincadeiras são todas vigiadas. Já pensou se eles caem nessa água?”.
PREJUÍZOS
Vendedores reclamam do ambiente desagradável e dizem que somente os bares ainda mantêm grande número de clientes. “Quem quer comer ao lado dessa podridão? Prefiro fazer as quentinhas e ir vender em outras ruas, porque aqui as pessoas têm até nojo”, confessou a ambulante Luciana Pontes.
A infraestrutura precária ainda dificulta o acesso dos moradores. Pontes que atravessariam os canais estão quebradas e já não permitem o fluxo de veículos. No local, apenas as placas que prometem a conclusão de obras de macrodrenagem permanecem em pé. “Estamos esperando que algo melhore por aqui porque até agora só vemos buracos e muita lama”, diz o ambulante Domingo Levi.
Marcelo Rodrigues mora há 16 anos no Jurunas e já estabeleceu estratégias para conviver com os problemas locais. “A gente vai trocando de caminho, colocando tábuas para tapar buracos, jogando aterros. Tudo para diminuir essa situação”. O autônomo conta que durante esse tempo já viu muitas pessoas se machucarem com as pontes improvisadas e canais descobertos. “Pior do que viver assim, é se acostumar com isso”. (Diário do Pará)
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