Cerca de duzentos pescadores da região do Xingu acamparam em frente ao prédio da Norte Energia, em Altamira, na manhã de ontem. São representantes de comunidades ribeirinhas de pelo menos cinco municípios da região que serão impactados pela barragem prevista para ser implantada no rio para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Aproveitando o dia internacional de luta contra as barragens, os pescadores chegaram em barcos, em uma espécie de romaria fluvial, aportando em Altamira. As famílias, mulheres e filhos dos pescadores fizeram a recepção da caravana e, durante o dia, teceram redes de pesca, simbolizando o artesanato e o trabalho feito por eles.
Durante a tarde, aconteceram atos públicos, como a exibição de filmes de conteúdo cultural mostrando as atividades de quem vive nestas áreas. De forma simbólica, os pescadores também serviram almoço à base de peixe para quem passava pelo local.
Ana Alaíde, representante de colônia de pescadores e uma das coordenadoras do protesto, disse que a maior preocupação dos pescadores é como irão sobreviver aos impactos ambientais causados pelo projeto. “Nós estamos jogados às dúvidas e nunca temos resposta certa para nossos questionamentos”
Pescador há 18 anos, Manoel Duarte também está preocupado. “No verão, a pesca é muito maior, mas com o lago da barragem sempre cheio, vai faltar. E aí, como eu vou viver?”
COMITÊ
O governo do Estado criou um Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu, coordenado pelo secretário Extraordinário de Estado para Assuntos de Energia, Nicias Ribeiro, nomeado pelo governador Simão Jatene em fevereiro deste ano.
O Comitê cuidará de todos os assuntos referentes à implantação do projeto Belo Monte. Não só acompanhará o processo de licenciamento, construção e instalação da hidrelétrica, mas irá administrar um fundo estimado em R$ 3,5 bilhões, a serem aplicados nos próximos quatro anos, com o objetivo de mitigar os impactos ambientais, econômicos e sociais na área de entorno da usina.
Caberá, ainda, ao Comitê mobilizar e discutir junto com representantes de órgãos governamentais e organizações da sociedade civil a implantação de políticas públicas que resultem na melhoria da qualidade de vida da população que habita área de abrangência da usina, que compreende os municípios de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu.
Segundo Nicias Ribeiro, saúde, educação e segurança são as áreas prioritárias a serem estudadas pelo Comitê. “Altamira, por exemplo, já recebeu cerca de oito mil trabalhadores vindos de outras cidades e Estados, e que estão espalhados pelos canteiros de obras da usina. Eles precisarão de escolas, hospitais, serviços diversos e segurança.” (Diário do Pará, com informações da Agência Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar