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Perícia continua análise de escombros do Real

Após o laudo pericial elaborado por engenheiros civis da Faculdade de Engenharia da UFPA apontar que houve falha no cálculo estrutural do Real Class e que os 25 pilares da obra eram estreitos, peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves pross

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Após o laudo pericial elaborado por engenheiros civis da Faculdade de Engenharia da UFPA apontar que houve falha no cálculo estrutural do Real Class e que os 25 pilares da obra eram estreitos, peritos do Centro de Perícias

Científicas Renato Chaves prosseguem os trabalhos na área onde o edifício desabou no dia 29 de janeiro, soterrando três pessoas.

Ontem à tarde, eles coletaram mais seis amostras de concreto e três de ferro que devem passar por testes de resistência e contraprova (ensaio laboratorial). “Com o auxílio do equipamento ‘extrator’, que retira as peças e dá um formato cilíndrico a elas, com cada peça tendo 20cm de comprimento e 10cm de diâmetro, estamos reunindo amostras do concreto da laje do subsolo para fazer os testes e verificar se tudo está da maneira como foi projetado”, explicou Sílvio Conceição, coordenador de Engenharia Legal do CPC Renato Chaves.

As amostras foram retiradas de locais onde ainda restam ligações entre seções de pilares e blocos de fundação. Conceição acrescentou que três amostras serão colocadas numa prensa para verificar a resistência do concreto e outras três irão servir de contraprova. “Recebemos hoje [ontem] o levantamento topográfico e agora poderemos verificar se no nível da laje do subsolo, que constatamos estar íntegra, houve algum deslocamento vertical ou recalque, que significa o afundamento da estrutura”.

O perito engenheiro chefe, Dorival Pinheiro, informou que o trabalho de campo está na reta final e que já foram retirados, marcados e enviados para o CPC, nas últimas semanas, cerca de sete peças ou amostras de material desabado, como seções de lajes, vigas e pilares. “Planejamos esse trabalho desde o princípio e vamos dando o direcionamento de acordo com os fatos que vão surgindo. No primeiro momento, analisamos no local se o sistema de vigas, lajes e pilares estava funcionando de forma integrada, se houve falha estrutural, já que o sinistro foi uma desestabilização global. Passamos essa etapa e seguimos procurando indícios que apontem a causa”, esclareceu Dorival.

De acordo com ele, a perícia do CPC Renato Chaves segue programação própria, sem se preocupar com outras perícias ou pressão. Ele diz que o laudo a ser entregue para o delegado Rogério Moraes - possivelmente até a primeira quinzena de abril - tem que ser preciso, completo e o mais compreensível: “Não podemos perder o foco. Essa perícia é peça fundamental para o inquérito, pode incriminar e responsabilizar pessoas. Estamos tendo todo o cuidado e precisão nesse trabalho”.

A princípio, sete peritos estavam envolvidos no trabalho de coleta e análise no local. “Hoje são três peritos aqui e outros ficam no trabalho de escritório, analisando os depoimentos do inquérito, documentos, laudos de sondagem, projeto estrutural e arquitetônico e alvará da obra. As amostras serão analisadas provavelmente no laboratório da Unama ou em um particular e após o resultado de alguns testes vamos ver se há ainda necessidade de realizar outras verificações no local do acidente”, pontuou o perito.

FUNDAÇÕES

Dorival Pinheiro mostrou ao DIÁRIO dois buracos que foram feitos e alargados na laje para analisar a fundação do prédio. “Toda essa laje está em cima de blocos, somente ali, no fosso do elevador, é que os blocos não estão colados na laje. Se houve movimentação nas fundações, a laje apresenta alguma patologia”, ensinou.

“Vamos verificar se o bloco desceu e se a estrutura não estava pronta para receber a carga, ou se algum bloco se partiu e comprometeu a estrutura. Aí, caso não haja indícios, vamos para a próxima etapa, que é a fundação”, disse o perito. Questionado se a fundação, que não foi analisada a contento pela equipe de engenheiros do Grupo de Análise Experimental de Estruturas e Materiais da Faculdade de Engenharia da UFPA (Gaema), como acusou o engenheiro calculista Raimundo Lobato em entrevista concedida ao DIÁRIO, teria atenção especial dos peritos do CPC, Dorival foi enfático: “Não vamos verificar se cerca de 70 estacas da fundação estão íntegras a 12 metros de profundidade. Queremos, sim, é saber se elas contribuíram para a desestabilização e se as fundações se movimentaram em algum momento mais do que estava projetado”.

O equipamento que fazia a retirada das pequenas peças arredondadas de concreto, uma máquina rotatriz extratora, resfriada a água, é de propriedade da Paulo Barroso Engenharia, engenheiro contratado pelo governo do Estado para fazer uma perícia técnica no local e nas casas e prédios da travessa Três de Maio. Leia mais no Diário do Pará.

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