Um fato novo está ajudando a polícia nas investigações sobre a queda do edifício Real Class, no final de janeiro passado: são imagens de vídeo dos sistemas internos dos edifícios Blumenau e Londrina, que ficam próximos ao local do acidente, e que possibilitaram constatar com precisão o momento da queda e a duração do desabamento. Essas imagens que ninguém teve acesso ainda, além do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, segundo o delegado Rogério Moraes, responsável pelo inquérito, foram fundamentais para determinar as causas do desabamento.
Os vídeos serão anexados ao inquérito assim que o laudo oficial for concluído pelo “Renato Chaves” e entregue ao delegado Moraes. Enquanto isso não ocorre, o engenheiro civil Raimundo Lobato da Silva, embora reafirme que a causa da queda do edifício Real Class foi erro na fundação do prédio, admite ter também errado ao não considerar a força do vento na totalidade do prédio. O cálculo estrutural levou em consideração pavimento por pavimento, como se fazia antigamente. A declaração de Lobato foi feita durante entrevista a veículos de comunicação.
O engenheiro fez questão de dizer que o mesmo método foi usado em outros prédios altos da Real Engenharia, empresa que contratou seus serviços para várias obras. Lobato, na entrevista, repetiu o que já havia declarado ao Diário no domingo passado. Seus cálculos ajudaram a construir mais de 50 edifícios somente em Belém e que nenhum deles até hoje apresentou qualquer problema.
Lobato vai aguardar o laudo oficial, do Centro de Perícias Renato Chaves, e insiste que a principal causa da queda do Real Class foi recalque na fundação. Enquanto ele prestava essas declarações, o delegado diz ser possível o indiciamento de várias pessoas. Ele também considera a possibilidade de indiciar a empresa Real Engenharia por homicídio culposo, ou seja, sem a intenção de provocar mortes. Moraes disse que as falhas no cálculo estrutural do prédio já eram sabidas pela polícia, no entanto, este não é o único fator que levou ao desabamento. A empresa Real Engenharia, dona do prédio, disse que não vai se manifestar sobre qualquer opinião emitida enquanto não sair o laudo oficial.
Laudo que será considerado é o do CPC
Quanto ao laudo encomendado pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) a sete engenheiros da Universidade Federal do Pará (UFPA), Moraes adiantou que ele não será considerado no inquérito. “Aquele é um laudo particular. O laudo do CPC será conclusivo a respeito das causas. As falhas de calculo já foram citadas nos interrogatórios que nós realizamos”. E discorda das declarações do engenheiro Lobato, de que as fundações contaminadas seriam a causa do desabamento.
Para Moraes, esse procedimento é razoavelmente comum em obras desse tipo, sendo contornado com a reconstrução das cabeças dos pilares, como foi constatado no processo. Na avaliação do delegado, a queda do Real Class vai inaugurar um novo capítulo na história da engenharia civil. “Existe uma máxima que diz que todo prédio avisa quando vai cair. Este prédio não deu aviso. Existe um operário que estava no décimo andar e diz que ouviu um estalo próximo ao meio dia como se fosse uma batida de palmas de mão. Ele brincou com um colega dizendo que o prédio era mal assombrado. Desceu e duas horas depois o prédio caiu”. (Diário do Pará)
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