O Índice de Preço ao Consumidor (IPC) da Região Metropolitana de Belém (RMB) registrou no mês de fevereiro deste ano a taxa de 0,12%, um percentual que apresentou forte redução em relação ao mês de janeiro, quando a taxa de inflação foi de 1,81%. Este recuo foi pressionado pela queda de 1,42% nos preços médios no setor alimentação e bebidas, o grupo de maior influência dentro da estrutura do IPC, considerando que os gastos com alimentação representam, em média, 34% do orçamento da família paraense.
A queda é explicada, em grande parte, pela redução de 2,93% no preço da carne bovina, que por sua vez representa 4,8% do orçamento familiar. Os produtos substitutos da carne também tiveram queda, considerando redução de 14,22% no preço de peixes e crustáceos. Além disso, cereais, leguminosas e oleaginosas também tiveram queda, de 8,17%. A pesquisadora do Idesp, Maria Augusta Pereira, que coordena o trabalho de cálculo do IPC, explica que os números refletem uma mudança de comportamento do consumidor diante das altas de preços registradas em janeiro, quando o grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 2,52%, e aumento médio de 3,44% nos preços das carnes, pressionados pela alta exportação. “O consumidor teve dificuldade de comprar carnes, derivados e seus substitutos e, por outro lado, o mercado ofereceu promoções”, afirma Maria Augusta.
Ainda assim, alguns itens da alimentação do paraense sofreram aumento, como açúcar e derivados (2,23%), o óleo de soja (4,7%), além do açaí (5,54%) e alimentos prontos (10,17%). “Esses aumentos, porém, não têm um peso grande no orçamento e não são itens de primeira necessidade, como a carne”, completa a pesquisadora.
Os gastos com habitação foram inflacionados, com taxa de 1,96%. Isso se deve às reformas que muitos belenenses fizeram em seus imóveis, o que corresponde a 6,14%. “A razão dessa aceleração se deve ao longo período de chuvas ocorridas em Belém, o que levou ao aumento dos preços médios de itens referentes a reparos, inclusive acima do mercado”, afirma Maria Augusta. Outro subgrupo que também teve forte influência foi Artigos de Limpeza e Descartáveis (2,14%).
O transporte apresentou taxa de 1,30%, aumento gerado pelos preços das passagens intermunicipais e interestaduais, que foram majoradas em média de 4,62%. Já o combustivel para veículo aumentou em 0,34%.
No grupo vestuário, a taxa de 1,66% foi pressionada pelo pelo preço dos tecidos (37,66%), resultado das crises ocorridas no mercado externo e interno. “O algodão, a matéria-prima utilizada na fabricação de tecidos, vem pressionando a indústria têxtil neste grande desafio, que é a concorrência de importados, a valorização do real e a perda de participação no mercado externo”, analisa a técnica.
O cálculo do IPC mostrou, ainda, que os gastos com educação, leitura e papelaria teve queda de 2,98%, considerando que foi no início do ano que os consumidores precisaram investir em despesas extras com matrículas e materiais escolares. Em janeiro, a taxa foi positiva, de 5,84%. (Agência Pará)
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